Ofensiva em Gaza favorece direita israelense nas eleições de fevereiro

JERUSALÉM ¿ A duas semanas das eleições em Israel, os políticos que mais se beneficiaram com a ofensiva militar contra o Hamas em Gaza parecem ser aqueles que não estavam envolvidos no planejamento ou na execução de guerra.

The New York Times |

Isso não acontece porque os israelenses se arrependeram ou estão com o coração amolecido devido às casualidades e à destruição em Gaza. Pelo contrário, eles parecem ter ido mais à direita, refletindo um sentimento comum entre os eleitores de que uma ofensiva mais dura talvez seja agora necessária.

Pesquisas recentes mostram que o candidato do partido de direita Likud, Benjamin Netanyahu, se manteve à frente ou ainda ampliou sua vantagem. Outro partido que parece ter ganhado terreno é o nacionalista Yisrael Beiteinu, liderado por Avigdor Lieberman.


Ofensiva israelense na Faixa de Gaza enfraquece o partido do governo / NYT

Enérgico legislador e ex-ministro, Lieberman retirou seu partido da coalizão do governo há um ano quando Israel começou a negociar um possível Estado Palestino com Autoridade Palestina na Cisjordânia, que é vista como mais moderada e pragmática que o Hamas.

O presidente Barack Obama disse em seu segundo dia de governo que sua administração vai buscar ativa e agressivamente a paz entre israelenses e palestinos. Em Israel, entretanto, o discurso popular é menos sobre paz e mais sobre o governo da força e a segurança nas eleições de 10 de fevereiro.

O temperamento do país se enquadra na linha de Netanyahu, disse Asher Arian do Instituto de Democracia de Israel, um instituto de pesquisa independente localizado em Jerusalém. O líder do Likud se apresenta primeiro como um campeão de segurança, e depois como um bom comandante da economia. Netanyahu também fala sobre arranjos práticos com os palestinos e diz que se eleito tentará formar o governo mais amplo possível - em parte para ter apelo junto ao objetivo final israelense e em parte para acalmar temores internacionais de que um governo de direita pode organizar uma revolta. 

Popularidade em alta

A guerra de três semanas contra o Hamas, grupo militante que controla Gaza, ganhou mais apoio popular em Israel que qualquer outra campanha militar israelense.

Ainda assim, dois dos protagonistas estão atrás de Netanyahu nas pesquisas. Tzipi Livni, ministra das Relações Exteriores e líder do partido de centro Kadima, que venceu as eleições em 2006, ainda está em segundo lugar.  Mas a distância entre ela e Netanyahu cresceu.


Netanyahu ganha terreno nas pesquisas israelenses / NYT

Ehud Barak, ministro da Defesa e líder do Partido Trabalhista, há muito é impopular. Apesar da ofensiva em Gaza ter dado a ele um impulso, ele ainda rasteja.

No sistema eleitoral, o líder do partido que vencer as eleições ganha a chance de formar um governo de coalizão e se tornar primeiro-ministro. A maioria dos israelenses diz que prefere Barak como ministro da Defesa.

Netanyahu sempre se manteve à frente mesmo antes da ofensiva em Gaza. Desde a guerra, a estrela de Lieberman começou a brilhar. Seu partido detém 11 dos 120 assentos do Parlamento. Quatro pesquisas de opinião divulgadas na semana passada deram ao partido Yisrael Beiteinu 16 assentos, com o partido à frente do Partido Trabalhista em três pesquisas e chegando perto dele na quarta. 

Parte da crescente popularidade de Netanyahu e Lieberman pode ser resultado da frustração entre israelenses de que a ofensiva em Gaza não foi longe o suficiente.

Apesar de o governo ter impostos limites claros aos objetivos a serem atingidos em Gaza ¿ impedir que os militantes palestinos lancem foguetes contra Israel - parte da população parecia ter sua própria expectativa, como, por exemplo, o colapso do Hamas, disse Yehuda Ben Meir, especialista em opinião pública no Instituto de Estudos sobre Segurança Nacional em Tel Aviv.

A plataforma da campanha de Livni é continuar as negociações com os palestinos para uma solução bi-estatal, e a candidata sustenta que qualquer governo israelense que falhar nessa tarefa vai logo se encontrar em conflito com a nova administração dos EUA.

Mas Livni saiu da guerra um pouco sem graça, disse Gadi Wolfsfeld, cientista político e professor da Hebrew University of Jerusalem.

Apesar de parecer linha dura com o Hamas, Livni não ganhou muito crédito pela ofensiva militar. Em Washington para assinar um memorando de entendimento que evitava o contrabando de armas em Gaza, ela esteve ausente quando Israel declarou um cessar-fogo, danificando sua imagem e relevância.

Por ISABEL KERSHNER

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