Óctuplos, seis crianças e muitas perguntas

WHITTIER, Califórnia - No oitavo dia, os oito bebês Suleman, inconscientes de sua posição nos livros de recordes como os segundos óctuplos a nascerem nos Estados Unidos, descansavam confortavelmente no hospital. Lá fora a história era outra.

The New York Times |

A assessora da mãe dos bebês, Nadya Suleman, 33, que já tem seis filhos, foi ao programa "Good Morning America" da ABC para retratá-la como uma "mulher maravilhosa" que está "feliz pelo milagre da vida e pelos bebês", enquanto considera pedidos de livros, jornais, programas de TV e filmes de todo o mundo para contar a sua história.

Organizações de notícias armaram acampamento diante do hospital em Bellflower, Califórnia, e da modesta casa de três cômodos onde Suleman mora com seus pais, Angela e Ed Suleman, e seus outros filhos. Fotógrafos cercaram um motorista da Federal Express que veio entregar cadeiras de bebês na terça-feira, passando por inúmeros brinquedos no jardim.

Um debate nacional (em programas de TV, blogs, cafés e no quarteirão de Suleman) nasceu junto com os oito bebês. A própria mãe de Suleman demonstrou objeções sobre ela ter tantos filhos.


Jornalistas fazem guarda duante da casa de Nadya Suleman / NYT

Baldo Ramirez, vizinho do família Suleman que diz ter vendido a casa a eles há alguns anos, disse estar dividido entre desejar bem à família e se preocupar com os cuidados das crianças. "Isso é de certa forma bom, mas eles são pobres e não podem arcar", disse Ramirez. "Mas acredito que Deus os ajudará a lidar com isso".

Fertilização in vitro

Depois de receber uma fertilização in vitro, segundo oficiais do hospital, Suleman deu à luz no dia 26 de janeiro a duas meninas e seis meninos (o hospital se refere a eles como os "Bebês Suleman de A a H" e a assessora, Joann Killeen, não revelou seus nomes).

Os bebês estão em incubadoras e se alimentam com suplementos e leite materno doado, mas já respiram sem a ajuda de aparelhos.

Os outros seis filhos de Suleman são duas meninas e quatro meninos, de idades entre dois e sete anos, e todos vivem com Suleman e seus pais neste subúrbio de classe média a oeste de Los Angeles. Não se sabe como eles foram concebidos, mas a mãe de Suleman, Angela Suleman, disse à Associated Press que eles também resultaram de fertilização in vitro e que Suleman usou os embriões restantes para conceber os óctuplos.


Pai de Nadya carrega um de seus seis filhos mais velhos / NYT

Nadya Suleman, segundo sua mãe, é "obcecada" pela maternidade desde que era adolescente. "Ela adora crianças e é muito boa com elas, mas obviamente foi longe demais", disse Angela Suleman.

Suleman se divorciou em janeiro de 2008 mas documentos indicam que seu ex-marido não é o pai de nenhuma das crianças.

Nenhuma lei restringe o número de embriões que podem ser colocados no útero materno, mas médicos especialistas em fertilidade geralmente seguem regras que recomendam que os médicos levem em consideração as condições mentais e físicas da mãe. A família e o hospital não revelaram informações sobre a clínica de fertilidade.

O bioeticista da Universida de Pensilvânia, Arthur L. Caplan, disse que o caso apresenta questões éticas difíceis, como se um médico deveria ter aceitado Suleman para um tratamento de fertilidade considerando que ela já tinha seis filhos.

"Eu acho uma falha ética enorme que ela tenha sido aceita como paciente", disse Caplan.

Na terça-feira, os pais de Suleman disseram aos repórteres que sua filha ainda não voltaria para casa e se recolheram.

A mãe de Suleman deu entrada em um pedido de falência, alegando perdas de US$1 milhão, de acordo com registros judiciais, e Suleman, técnica psiquiatrica em um hospital, parou de trabalhar em determinado ponto de sua gravidez. Ela tem diploma em psicoterapia para crianças e adolescentes pela Universidade Estadual da California, Fullerton, e participava de um programa de pós-graduação até a primavera passada.

Killeen e seu sócio, Michael Furtney, disseram que Suleman ainda não determinou como irá sustentar sua família, apesar de estarem considerando diversas ofertas da mídia, algumas com compensações financeiras. Furtney disse que "pessoas e grupos" ofereceram levá-los a uma casa maior.

Por RANDAL C. ARCHIBOLD

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