Obra de museu sonhado por Hitler volta à Alemanha

Volume com imagens de pinturas alemãs do século 19 havia sido levado aos EUA por veterano da 2.ª Guerra como souvenir do conflito

The New York Times |

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Gemaldegalerie Linz 13, que veterano americano da 2.ª Guerra levou aos EUA no fim do conflito. Ele o devolveu à Alemanha em janeiro, após tê-lo guardado por 65 anos
Robert Edsel, autor de "The Monuments Men" (Os Homens dos Monumentos, em tradução livre), chegou à capital alemã, Berlim, com um pesado caderno de couro marroquino verde. "Gemaldegalerie Linz 13" era o título gravado na lateral. Dentro, imagens em preto e branco de obscuras pinturas alemãs do século 19.

O álbum era um dos volumes há muito tempo perdidos que foram catalogados pelo Fuhrermuseum, instituição que nunca chegou a ser construída em Linz, na Áustria, e que o ditador nazista Adolf Hitler queria que um dia concorresse com os museus de Dresden e Munique.

Começando em 1939, os nazistas e negociadores de arte compraram e roubaram milhares de pinturas, esculturas, tapeçarias e outros objetos de acervos particulares de toda a Europa - e armazenaram tudo para exposição no futuro museu.

Hitler ajudou a elaborar os planos arquitetônicos, que cresceram de acordo com sua megalomania e passaram a incluir um teatro e sala de ópera, um hotel, uma biblioteca e espaço para desfiles. Fotografias mostram ele, lápis na mão, analisando o projeto e observando a maquete do local.

O álbum de Linz reapareceu há pouco tempo em Cleveland, nos EUA, um lugar inesperado. John Pistone, veterano de 88 anos que lutou no Exército de Patton, pegou o objeto em 1945 em Berghof, o retiro de Hitler nos Alpes da Bavária. Como outros soldados, ele queria uma lembrança para provar que esteve lá.

O soldado só ficou sabendo de sua importância quando o homem que foi à sua casa instalar a máquina de lavar louças viu o álbum e decidiu pesquisar na internet e entrou em contato com Edsel.

Edsel lidera a Fundação Homens dos Monumentos para a Preservação da Arte, uma organização dedicada à preservação da herança de cerca de 350 soldados aliados encarregados de cuidar de tesouros culturais na Europa.

Aos 53 anos, Edsel não é o tipo de pessoa que aceita não como resposta e convenceu Pistone a entregar o volume ao Museu de História Alemã de Berlim, que tem os outros volumes da coleção - do total de 20 volumes, 11 continuam desaparecidos.

O Volume 13, ou o álbum de Pistone, contém reproduções de pinturas alemãs e austríacas do século 19, a arte mais admirada por Hitler. O tempo camufla o mau, ou não. Edsel afirmou nesta semana que acredita que cada vez mais curiosidades como o álbum de Pistone serão descobertas conforme veteranos daquela guerra morram.

"O valor emocional não passa de geração para geração", explicou. "As pessoas não herdam paixões."

A recordação particular de um homem passa a ser a oportunidade de outro de vender alguma coisa no eBay, apesar das autoridades americanas e alemãs insistirem que itens como o albúm de Linz são bens culturais que não devem ser vendidos.

Em uma cerimônia na terça-feira, o Volume 13 foi entregue ao Museu de História Alemã, unindo-se a outros álbuns de Linz expostos atrás de uma redoma de vidro, como evidência do seu passado. Enquanto isso, outros 11 volumes permanecem desaparecidos. Presumivelmente, eles ainda estão por aí.

*Por Michael Kimmelman

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