Obama usa metáfora para conquistar votos em eleição de novembro

Em discursos, líder tenta dividir disputa entre republicanos que afundaram o país e democratas que o colocaram no caminho certo

The New York Times |

Ao testar seu discurso eleitoral, o presidente Barack Obama usou uma metáfora pedindo que os eleitores americanos pensem no país como um carro que foi conduzido a uma vala (e adivinha quem estava na direção).

“Você tinha um grupo de pessoas que levou a economia, levou o país, levou o nosso carro para a vala”, disse Obama a cerca de 200 apoiadores que bebiam sauvignon blanc à beira da piscina em uma festa beneficente em Los Angeles.

O presidente pode mudar uma palavra aqui ou se referir a um outro membro do Congresso lá, mas a base do arco narrativo tem sido a mesma em seu discurso esta semana durante sua passagem por cinco Estados.

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Obama cumprimenta americanos em evento da campanha democrata em Milwaukee, no Estado americano de Wisconsin

A Casa Branca quer mostrar as eleições de novembro como uma escolha clara entre os democratas, que colocaram o país no caminho da recuperação, ainda que anêmica, e os republicanos, que, na visão da Casa Branca, colocaram o país nesta bagunça econômica.

“Nós colocamos nossas botas e entramos na vala – com lama e poeira por todos os lados – e estamos empurrando para sair dela”, disse Obama sobre os esforços da Casa Branca e seus parceiros democratas no Congresso.

“E nós estamos escorregando e deslizando e transpirando, e do outro lado, os republicanos estão ali com suas raspadinhas nos observando”, disse Obama, com uma retórica que tem sido refinada (com exceção da raspadinha) ao longo de vários meses. “Finalmente colocamos o carro ao nível do solo. Finalmente estamos prontos para avançar, seguir o caminho da prosperidade americana, e o que acontece? Eles querem as chaves de volta".

“Bem, vocês não podem ter as chaves de volta”, disse ele em meio a aplausos, em Milwaukee, na segunda-feira. “Vocês não sabem dirigir. Vocês nos colocaram na vala”.

Não é um argumento fácil, em grande parte porque os republicanos têm dito que o estímulo econômico de Obama e os gastos com as reformas da saúde e economia estão retardando a recuperação e mantendo uma elevada taxa de desemprego. Na verdade, ao invés de fugir, os republicanos estão abraçando o rótulo de “obstrucionistas” que Obama tem utilizado.

Quando oficiais da Casa Branca começaram a apontar aos repórteres as recentes declarações do líder republicano, o senador Mitch McConnell de Kentucky, de que desejava que os republicanos tivessem sido capazes de dificultar mais, McConnell disparou e-mails defendendo os comentários.

“Como a maioria dos americanos, os republicanos do Senado se opõem à aquisição do sistema de saúde pelo governo que semanalmente descobrimos que não irá reduzir os custos dos cuidados médicos para as famílias, mas vai tirar meio trilhão de dólares do orçamento do Medicare enquanto exclui idosos dos planos que gostam e aumenta os impostos sobre as pequenas empresas”, disse Don Stewart, porta-voz de McConnell, em um email.

O autor dos discursos de Obama, Jon Favreau, viaja a seu lado e os dois debatem o que funciona e o que não funciona. A mensagem “você não sabe dirigir”, que fez sua estreia em um discurso há poucos meses, tem se mostrado cada vez mais favorável ao presidente diante da reação do público a ela, disseram oficiais do governo.

Claro que, nesta viagem, Obama falou apenas a apoiadores.

“Você percebe que quando avança com seu carro, você coloca o câmbio em ‘D’ e quando quer ir para trás você o coloca em ‘R’?”, disse Obama sob aplausos em Seattle. “Para trás é para a vala! Em novembro, tenha isso em mente. Não é uma coincidência”.

Brincadeiras à parte, o esforço para posicionar os democratas do Congresso como mais preocupados com a economia do que seus colegas republicanos é crucial para as esperanças de Obama de que seu partido mantenha o controle do Congresso em novembro.

Com esse objetivo em mente, Obama está tentando aproveitar o sucesso de sua eleição à Casa Branca em 2008. “Você se lembra o nosso lema durante a campanha – ‘Sim, nós podemos?’”, perguntou Obama em Seattle. “O lema deles é: ‘Não, nós não podemos’”.

Claramente se divertindo, ele sorriu ironicamente. “É realmente inspiradora a visão que eles têm do futuro – nos dá coragem quando ouvimos, não é mesmo?”

Por Helene Cooper

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