Obama resgata dom da oratória para lembrar ajuda a setor automobilístico

Presidente retoma discurso motivador para atacar o republicano Mitt Romney, que em 2008 se colocou contra ajuda a montadoras

The New York Times |

O presidente americano, Barack Obama , canalizou a persona de sua campanha de 2008 no dia 22 de fevereiro, fazendo um discurso enérgico na semana passada na conferência do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística para lembrar os habitantes do Estado de Michigan do dia em que ajudou a salvar o setor enquanto o pré-candidato republicano Mitt Romney pedia que os maiores fabricantes de carros do país declarassem falência.

"Há apenas alguns anos, quase um em cada cinco trabalhadores da indústria automobilística foi demitido", disse Obama em um discurso para um importante eleitorado democrata que foi recebido com muitos aplausos. "E quando a crise financeira chegou com toda força, os Estados Unidos enfrentaram uma dura realidade e uma que era inimaginável: duas das três grandes empresas automobilísticas (a GM e a Chrysler) estavam à beira da falência".

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Obama discursa lembrou ajuda dada a funcionários da indústria automobilística em Washington (28/2)
E, então, ele chegou ao ponto crucial do discurso que vem aperfeiçoando desde que a campanha republicana iniciou sua partida em Michigan, onde Romney tentou consertar o que havia escrito no infame artigo editorial intitulado: "Vamos deixar Detroit Falir", que foi publicado no The New York Times em 2008.

"Alguns políticos tiveram a coragem de dizer que deveríamos ter 'deixado Detroit ir à falência!'", lembrou Obama. A multidão vaiou, e Obama fez uma pausa dramática, em seguida, acrescentou: "Vocês se lembram disso?"

Houve ainda mais vaias, o presidente estava claramente se divertindo. "Pensem a respeito do que essa escolha teria significado para este país. Se tivéssemos virado as costas para vocês, se a América tivesse simplesmente desistido tanto a GM quanto a Chrysler não existiriam mais hoje em dia", disse Obama.

Oratória

Quando Obama quer, ele consegue ser um ótimo orador, como o fez de maneira consistente em 2008. E ele foi muito cuidadoso nos últimos meses na escolha de seus discursos para ter certeza de que também apareceria na cobertura das notícias às quais vem se dedicando, principalmente à disputa para a escolha do candidato presidencial republicano.

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A multidão de trabalhadores da indústria automobilística e de líderes sindicais estava absorvendo tudo o que ele dizia - e a energia de Obama parecia se alimentar disso ainda mais. O presidente estava constantemente lhes fornecendo palavras que chamavam atenção e várias vezes chegou a se desviar de suas observações pré-preparadas, como quando fez endossou o novo Chevy Volt e fez uma promessa de comprar um – depois de seu próximo mandato, é claro.

"Eu quero muito entrar em um Chevy Volt, embora o serviço secreto não me deixe dirigir", disse Obama em meio a aplausos. "Eu pelo menos gostaria de sentar dentro dele. E em quatro ou cinco anos a partir de hoje, quando eu não for mais presidente e finalmente puder dirigir novamente, vou comprar um."

Em resposta, a multidão gritou: "Mais quatro anos!"

Obama nunca mencionou Romney pelo nome, mas suas alusões eram óbvias. "Tem sido divertido ver essas pessoas tentarem reescrever o que haviam dito anteriormente agora que vocês estão bem novamente", ele disse aos trabalhadores da indústria automobilística.

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Ele passou boa parte de seu discurso falando sobre o trabalho difícil que os trabalhadores sindicalizados fazem e procurou reverter a retórica de seus rivais sobre os valores americanos contra o Partido Republicano. "Deixe-me lhes dizer uma coisa. Eu continuo ouvindo as pessoas falarem sobre valores o tempo inteiro", disse Obama, elevando o volume de sua voz. "Trabalho duro, isso por si só já é de grande valor."

Obama ainda fez referências ao senador Edward M. Kennedy de Massachusetts, que morreu em 2009. "Ele costumava dizer: 'O que é que eles acham tão ofensivo em relação ao trabalho duro de homens e mulheres?" o presidente lembrou.

Respondendo ao discurso de Obama, Kirsten Kukowski, uma porta-voz do Comitê Nacional Republicano, disse em comunicado que "o presidente Obama é conhecido por colocar a sua reeleição acima das promessas feitas ao povo americano."

Kukowski disse que o discurso de Obama não passou de "um acordo com seus comparsas sindicais que receberam bilhões de dólares em dinheiro de resgate e agora estão obviamente apoiando a campanha de sua reeleição."

* Por Helene Cooper

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