Obama recebe cada vez mais atenção da mídia

WASHINGTON ¿ A viagem do Senador John McCain ao Iraque na última primavera foi um evento discreto: com poucos jornalistas rotineiros cobrindo a viagem, o âncora da NBC News Brian Williams reportou a viagem de McCain a Bagdá direto do estúdio em Nova York e a notícia foi dada no bloco sobre ¿outros assuntos políticos.¿

The New York Times |

Mas agora que o senador Barack Obama anunciou sobre o Iraque e outras viagens ao exterior nesse verão, Williams está pensando em acompanhá-lo pessoalmente, assim como os outros dois âncoras de noticiários noturnos, Charles Gibson da rede ABC e Katie Couric da CBS, que, como Williams, estão há tempos negociando uma entrevista com Obama em sucessivas noites. 

E, enquanto os âncoras negociam entrevistas com Obama ao longo de sua rota, os passageiros habituais do avião de Obama receberão novos colegas de assento: jornalistas políticos de veículos consagrados que estão correndo para alcançar Obama em sua primeira viagem ao exterior desde que tornou-se o indicado do partido Democrata. Um Encontro com a Imprensa também está sendo planejado.

A extraordinária cobertura  planejada para a viagem de Obama, apesar de ter sido em parte solicitada por apoiadores, reflete que o candidato permanece como objeto de fascínio para a mídia, uma vantagem implantada devido ao fato de ser o primeiro candidato negro à presidência e um relativo recém-chegado ao cenário político nacional.

Obama leva vantagem

Mas a cobertura também é motivo de preocupação para o comitê de McCain, e entre os republicanos em geral, que acreditam que a mídia não está sendo imparcial na cobertura dos candidatos, assim como os consultores da senadora Hillary Clinton achavam durante as primárias.

Em toda campanha, tempo é um recurso escasso, então não é produtivo ficar se preocupando com a maneira como o Obama vem sendo coberto, disse Jill Hazelbaker, porta-voz do candidato McCain. Isto dito, não nos escapou o fato de que três redes de noticiário estarão presentes nas paradas que Obama fizer durante a viagem.

Executivos das três redes tradicionais dizem que geralmente devotam os mesmos recursos para ambos os candidatos. Mas não discutem que Obama vem recebendo mais cobertura este ano, não só devido a natureza histórica de sua candidatura e sua relativa novidade em relação a McCain, mas também devido a sua longa disputa durante as primárias com Hillary Clinton - no mesmo momento em que McCain visitava o Iraque.  

O desequilíbrio apareceu em diversas análises da mídia. The Tyndall Report, um serviço que monitora a cobertura e tem como clientes as emissoras, reportou que três noticiários de emissoras de TV ¿ que juntas alcançam 20 milhões de pessoas ¿ gastaram 114 minutos cobrindo Obama desde junho. Gastaram, no mesmo período, 48 minutos cobrindo McCain que fez uma bateria de entrevistas via satélite na última semana. 

Para a cobertura intensa planejada para a viagem de Obama, produtores executivos das redes de comunicação disserem em entrevistas que, mais uma vez, o candidato democrata foi potencialmente beneficiado por ser um político novato e ainda não testado. Assim, a sua primeira visita a outro continente pode ser uma oportunidade para os eleitores avaliarem como Obama lida com uma de suas maiores preocupações: segurança nacional e política externa. 

Se esta fosse a primeira viagem de McCain a uma zona de guerra, também seria um grande evento e teria uma grande cobertura, disse Paul Friedman,  vice-presidente sênior da CBS News. Essa é a primeira viagem do senador Obama ¿ suas posições e as percepções públicas sobre suas opiniões sobre segurança nacional são temas importantes.

Friedman disse que McCain e os republicanos contribuíram para tornar a visita ainda mais importante por questionarem repetidamente as credenciais de Obama, insistindo em contar os dias que se passavam desde a última visita do candidato ao Iraque, em 2006.   

Desejado pelas revistas

O fascínio da indústria da notícia foi ampliado pelas revistas de interesses gerais, onde Obama estampou mais capas nos últimos meses que McCain. Nas última duas semanas, Obama estampou a capa da revista Rolling Stones , pela segunda vez este ano, e da Us Weekly (ambas publicações pertencem ao apoiador de Obama, Jann S. Wenner). Beth Jacobson, porta-voz da Wenner Media, disse que as publicações estão entre as mais vendidas do ano.

Ned Martel, vice-editor da Men's Vogue, disse, ele é o que no jargão das revistas, chamamos de motorista de atenção A revista estampou Obama na capa em 2006 e recentemente despachou a fotógrafa Annie Leibovitz para produzir uma nova edição a ser lançada. Ela também fez material com McCain, mas não o colocou na capa.

Chuck Todd, diretor político da NBC News, disse que a habilidade de Obama em chamar atenção da mídia não deveria ser surpresa. É assim que as novas figuras são tratadas ¿ independente de ser Ronald Reagan, Michael Dukakis, Bill Clinton ou George W. Bush," disse Todd. Tem sempre um candidato que recebe tratamento especial, e isso não é sempre positivo. 

Por JIM RUTENBERG

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