Obama procura interesses comuns com o Exército em retirada de tropas do Iraque

WASHINGTON ¿ Enquanto age para redefinir a missão do país no Iraque, o presidente Barack Obama enfrenta uma escolha difícil: será que ele quer abandonar a promessa feita durante sua campanha ou pretende arriscar uma ruptura com o Exército? Ou será que ele possui artimanhas para conseguir algo diferente?

The New York Times |

Desde sua posse na semana passada, Obama se comprometeu novamente em acabar com a guerra no Iraque, mas não com sua promessa mais específica, feita na campanha presidencial, de tirar uma brigada de combate por mês nos primeiros 16 meses de sua presidência. Seu comandante no Iraque propôs uma retirada menos brusca no começo, avisando que os perigos de uma ação muito rápida.

Nesta quarta-feira, Obama visitou o Pentágono pela primeira vez, desde que se tornou presidente, e pareceu procurar por uma alternativa que o deixasse cumprir sua promessa, ao menos em teoria, sem alienar os generais. A Casa Branca indicou que Obama estava pronto para escolher seu plano de 16 meses e enfatizou que a segurança é um fator importante em sua decisão.

Não estamos mais envolvidos em um debate sobre se, mas como e quando, disse Robert Gibbs, secretário de imprensa, sobre a retirada das tropas do Iraque. Esse é um procedimento que o presidente quer fazer de maneira séria.

Ele acrescentou: Ele quer garantir a segurança de nossas tropas enquanto retiramos nossas brigadas de combate; quer, como disse repetidamente, oferecer a responsabilidade e a oportunidade para os iraquianos fazerem mais para governar o próprio país; e, como já disse, fazer isso de uma forma que procure a opinião de todos aqueles líderes.

Entre aqueles que foram consultados pelo presidente, estava o general Ray Odierno, comandante superior no Iraque que desenvolveu um plano que retiraria as tropas mais lentamente do que o planejado pela campanha de Obama, tirando duas brigadas pelos próximos seis meses. Em uma entrevista no Iraque, nesta quarta-feira, Odierno lembrou que poderia levar o resto do ano para determinar se o Exército dos EUA poderia se retirar tão dramaticamente.

Eu acredito que se pudermos chegar até o ano que vem de uma maneira pacífica, com incidentes sobre o que eles são hoje ou melhor, eu acho que estamos perto de uma estabilidade duradoura, que realmente permite a redução, disse o general enquanto inspecionada um centro de votação no sul de Bagdá, devido as eleições provinciais neste sábado.

Ele disse que o período entre as eleições do fim de semana e as eleições nacionais que devem acontecer em um ano, será crítico para determinar o futuro do Iraque. Enquanto algumas tropas norte-americanas poderiam se retirar antes desse evento, ele lembrou o papel importante que qualquer retirada poderia desencadear depois das eleições.

Reduziremos as tropas neste ano, disse o general. É o momento certo para isso. Eu acredito que os iraquianos estão progredindo. É hora de nós darmos espaço em alguns lugares e lhes dar mais controle. Acrescentou: O que queremos fazer é mudar nossa missão aos poucos, de um foco contra os rebeldes para um foco concentrado na estabilidade das operações.

Após a reunião na Casa Branca, na semana passada, com a participação de Odierno por meio de um vídeo de segurança, Obama viajou ao Pentágono, nesta quarta-feira, para encontrar chefes do serviço. A discussão foi além do assunto Iraque e Afeganistão, abrangendo uma variedade de desafios que confrontam o Exército.

Foi uma conversa muito produtiva sobre a situação mundial e as ameaças as quais enfrentamos, os riscos que existem pelo mundo, disse Geoff Morrell, porta-voz do Departamento de Defesa.

Mais tarde, falando com repórteres, Obama expressou preocupação com a enorme pressão em nosso Exército em cumprir toda uma séria de missões e prometeu avanço em todos os aspectos do poder norte-americano para garantir que eles não estejam carregando um fardo tão grande.

Ele apontou que não decidiu sobre sua abordagem em relação ao Iraque. Teremos algumas decisões difíceis que conseguiremos circundando o Iraque e o Afeganistão, o mais rápido possível, disse.

J. D. Crouch II, que foi vice-consultor de segurança nacional de George Bush e arquiteto principal da estratégia de aumento (surge strategy), disse que Obama e sua equipe seriam mais sábios se prestassem atenção nos militares. Eles não querem que a missão no Iraque não dê certo, porque eles têm muitas outras coisas importantes para fazer. Eles não querem alienar os soldados. E tem algo para ser dito: o cara que conseguiu pôr controle aqui, Ray Odierno, provavelmente tem uma boa idéia do que precisa.

Ainda assim, Obama enfrenta a pressão de sua base política em aderir ao seu plano de 16 meses. Nós votamos nele porque ele iria nos tirar do Iraque, disse Medea Benjamim, co-fundador do Code Pink (Código Rosa em tradução livre), grupo antiguerra. Se há alguns militares que acham que devemos ficar aqui, eles estão designados por suas opiniões, mas essa não deveria ser nossa política.

Eli Pariser, diretor executivo da MoveOn.org, outra organização que se opõe à guerra, disse Não temos razão para pensar que Obama desistiu de sua promessa de campanha sobre terminar a guerra no tempo determinado.


Por PETER BAKER and ALISSA J. RUBIN

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