Obama prepara ataques ao Congresso em campanha de reeleição

Presidente dos EUA vai mostrar que tomou medidas unilaterais para tentar salvar a economia ante impasse legislativo republicano

New York Times |

O presidente Barack Obama planeja dar início a sua campanha de reeleição intensificando a ofensiva contra um Congresso já bastante impopular, reafirmando que não conseguirá aprovar qualquer legislação importante em 2012 devido à hostilidade mantida contra sua agenda pelos republicanos.

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Presidente Barack Obama fala em coletiva sobre extensão do prazo dos cortes de impostos na Casa Branca, em Washington (23/12/2011)

A estratégia eleitoral de Obama busca tirar proveito de sua recente vitória na extensão do prazo dos cortes de impostos em folha de pagamento e do seu crescente índice de aprovação nas pesquisas. À medida que o palco é preparado para as eleições de novembro, ele pretende reforçar o tema da justiça econômica para os americanos comuns ao invés de dar continuidade a batalhas legislativas com republicanos do Congresso, disse Joshua R. Earnest, secretário de imprensa adjunto do presidente, revelando a estratégia da Casa Branca.

"Em termos do relacionamento do presidente com o Congresso em 2012", disse Earnest em uma entrevista, "o presidente não está mais ligado a Washington, D.C." A conquista de uma extensão nos cortes dos impostos em folha de pagamento é a última peça "necessária" para a Casa Branca, disse ele.

No entanto, seja qual for a estratégia de Obama, ela será o equivalente a uma reforma completa do jovem senador que chegou à presidência em 2008 com a promessa de mudar a cultura de Washington, manter-se acima de disputas partidárias e buscar acordos.

Depois de três anos no cargo, Obama agora opta por uma abordagem solitária. Nas próximas semanas, ele vai mostrar outras medidas próprias para reanimar a economia, disse Earnest sem dar mais detalhes.

Obama usou sua autoridade executiva nas últimas semanas para promover a contratação de veteranos e ajudar estudantes a pagar empréstimos feitos para cobrir suas mensalidades. Ressaltando o tema do trabalho, Obama pretende voltar à estrada, começando com uma viagem para Cleveland na quarta-feira, para falar sobre a economia do país.

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A Casa Branca apresentou a estratégia eleitoral do ano na semana passada no Havaí, onde Obama passa férias, ao mesmo tempo em que o foco se volta para os caucusês republicanos que acontecerão na terça-feira em Iowa.

A Casa Branca tem definido a mensagem desde julho, quando a tentativa de Obama de forjar um "grande acordo" com os republicanos da Câmara a respeito da política fiscal fracassou e reverteu a estratégia para uma versão mais populista e anti-Congresso.

Mas ela não ganhou força até as últimas semanas, quando pesquisas começaram a mostrar que quase metade dos americanos aprovam o trabalho que vem sendo feito pelo presidente. Os republicanos da Câmara inadvertidamente o ajudaram pouco antes de seu recesso de férias, ao se recusaram a estender o corte de impostos em folha de pagamento.

Earnest disse que a estratégia posicionou com sucesso "a imagem de um Congresso desfuncional e em impasse e de um presidente que está fazendo o possível para tentar encontrar soluções para os desafios econômicos e financeiros enfrentados pelo país".

Obama começou a enfatizar a nova estratégia no início de dezembro com um discurso inflamado em Osawatomie, Kansas, onde ele disse que "a ganância de tirar o fôlego" contribuiu para os problemas econômicos do país e que este era um "momento de tudo ou nada para a classe média".

Em seu discurso semanal no sábado, Obama elogiou o Congresso por passar os dois meses de extensão no corte dos impostos, mas deixou claro que os legisladores agiram apenas sob intensa pressão pública. Ele também repetiu a promessa de lutar pelos americanos de classe média.

"Como presidente, prometo fazer tudo o que puder para tornar a América um lugar onde o trabalho duro e responsabilidade sejam recompensados - um país em que todo mundo tenha uma chance justa e contribua com a sua parte", disse.

A nova abordagem de confronto de Obama traz riscos, já que o apoio do Congresso ainda é necessário para questões de importância nacional. Mas o acordo orçamentário resolveu o impasse sobre o aumento do limite máximo da dívida no ano passado e acabou com uma arma importante que os republicanos usavam para pressionar o presidente.

Na sexta-feira, por exemplo, Obama concordou em adiar um pedido de US$ 1,2 trilhão em autoridade para empréstimos adicionais ao Congresso. Isso permitirá que os legisladores voltem a Washington para expressar sua oposição. Mesmo se eles votarem com o objetivo de bloquear a medida, Obama pode vetá-la, sabendo que o Senado controlado pelos democratas não se posicionará contra ele.

O antagonismo do presidente em relação ao Congresso evoca a posição do presidente Harry S. Truman (1945 - 1953), cuja campanha de 1948 teve como foco central um "Congresso que não faz nada". Mas analistas republicanos apontam que a taxa de desemprego em novembro de 1948 era de 3,8% - não 8,6%, como é agora - e que a economia dos Estados Unidos estava em alta.

"Os americanos esperam que seus líderes eleitos trabalhem em conjunto para impulsionar a criação de emprego, mesmo em ano eleitoral", disse Brendan Buck, porta-voz do presidente da Câmara, John A. Boehner. "Um governo dividido pode ser difícil, mas isso não é desculpa para ele colocar a sua presidência no piloto automático diante de tantos americanos."

Para Obama, uma estratégia altamente partidária corre o risco de alienar os eleitores moderados e independentes que estão fartos do impasse que toma conta de Washington. Na campanha presidencial republicana, Mitt Romney , ex-governador de Massachusetts, e Newt Gingrich , ex-presidente da Câmara, apostam em apresentar bem sucedidos trabalhos legislativos realizados com democratas.

Obama também corre o risco de antagonizar democratas do Congresso, que se irritaram quando oficiais do governo, incluindo o chefe de equipe da Casa Branca, William M. Daley, criticou o Congresso sem distinguir entre democratas e republicanos.

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Presidente americano Harry Truman em foto sem data

Os líderes democratas disseram estar satisfeitos que Obama tenha feito essa distinção de maneira apropriada e disseram entender por que ele quer atacar um Congresso cuja liderança republicana bloqueou legislações importantes do presidente e declarou como seu principal objetivo derrotá-lo em novembro.

"Ele tem sido enfático em afirmar que está correndo contra os republicanos obstrucionistas na Câmara", disse o deputado Steve Israel, democrata de Nova York, que é o presidente do Comitê da Campanha Democrata no Congresso. "Enquanto o presidente incluir a palavra 'republicanos' quando diz que irá concorrer contra o Congresso, mais poder para ele."

Depois de um ano em que a Casa Branca muitas vezes parecia um refém do contingente Tea Party da Câmara controlada pelos republicanos, o governo está saboreando a vitória de Obama na obtenção da prorrogação de dois meses do corte de impostos para maioria dos trabalhadores.

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"A importância dessa luta", disse Earnest, "é que ela deu ao presidente a oportunidade de estabelecer sua posição em uma questão histórica com a qual, pelo menos na história recente, os democratas não têm se saído muito bem, que são os impostos". Ele apontou para as pesquisas que mostraram que Obama agora é mais confiável em questões de impostos do que os republicanos.

Ganhar uma extensão para todo o ano nos cortes de impostos sobre os salários também será uma prioridade, segundo Earnest. Ele observou que os republicanos agora argumentam que os cortes devem ser prorrogados por um ano, depois de uma oposição inicial.

"Há outras coisas que o presidente certamente quer fazer", disse Earnest, citando outras disposições da lei de empregos. "Mas em termos do que é essencial, a extensão nos cortes de impostos é a última."

Por Mark Landler

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