Obama muda tom a respeito do Nafta antes de viagem ao Canadá

WASHINGTON - Como candidato à presidência, Barack Obama cortejou votos no Cinturão Industrial sugerindo que poderia renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), um pacto que criticou como não sendo bom para a América.

The New York Times |

Agora Obama está prestes a fazer sua primeira viagem internacional como presidente dos Estados Unidos ao Canadá, seu maior parceiro comercial, e a mensagem é totalmente outra.

Com os canadenses revoltados com as provisões "Compre América" do pacote de recuperação econômica americano, e seu primeiro-ministro Stephen Harper alertando os Estados Unidos para que não se afastem de suas obrigações em tratados internacionais, Obama, que fará uma viagem de um dia a Ottawa nesta quinta-feira, deixou de enfatizar a ideia de renegociação do Nafta.

Ao invés disso, ele e seus conselheiros sênior falam sobre um aumento no relacionamento comercial entre Canadá e Estados Unidos (a maior parceira comercial do mundo, segundo a Casa Branca) e limitando sua mensagem sobre o Nafta à modificação de acordos laterais sobre a proteção ambiental e trabalhista.

Conforme tenta consertar a economia americana, Obama promete fazer isso de forma a melhorar, ao invés de suprimir, o comércio entre os dois países.

O comércio dividiu o Partido Democrata em linhas regionais e econômicas, colocando aqueles que veem a globalização como inevitável e produtiva contra os de regiões economicamente prejudicadas como Ohio e Michigan que veem como preço do livre comércio o desemprego e o declínio dos salários.

O último presidente democrata, Bill Clinton, lutou muito para conseguir a aprovação do Nafta, e deixou muitos políticos de seu partido desconfortáveis (inclusive, eventualmente, sua mulher, Hillary Rodham Clinton, que, como Obama, falou sobre a reabertura do pacto quando era candidata à presidência).

Agora que Obama é presidente, ele se vê diante de um clima que faz com que o comércio livre seja ainda mais difícil de ser defendido (com a economia em profunda recessão, aumento no desemprego e pressão isolacionista do Congresso liderado pelos democratas). Membros do Congresso incluíram a provisão "Compre América", exigindo que projetos de trabalho público sejam construídos com aço e ferro americanos, no estímulo assinado por Obama na terça-feira.

Ao mesmo tempo, Obama confronta argumentos de que restringir o comércio com outros países colocaria ainda mais em depressão uma economia global interconectada.

Então Obama percorre um trajeto delicado a caminho de Ottawa.

-  SHERYL GAY STOLBERG

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