Obama mantém tradição e testemunha no caso Blagojevich

Todos os presidentes há mais de três décadas tiveram conversas com promotores federais em algum momento. O presidente eleito Barack Obama pode ter feito isso mais rápido do que os outros ao depor antes mesmo de sua posse.

The New York Times |

Obama falou com quatro investigadores na semana passada sobre a tentativa de leilão de sua cadeira no Senado. Como testemunha, e não como alvo da investigação, Obama parece ter tido uma experiência melhor que seus predecessores. Mas certamente não é assim que quer começar sua presidência.

"O cara ainda nem pegou seu smoking para a festa de posse e os promotores já querem falar com ele", disse Robert S. Bennett, um dos advogados mais proeminentes de Washington, que representou inúmeros membros do Congresso, secretários de gabinete e até mesmo o presidente Bill Clinton em todo tipo de acusações. "Essa é a era em que vivemos"

Outro reflexo da era é que Obama e sua equipe evidentemente não tentaram impedir o depoimento. No passado, alguns presidentes cooperaram com os promotores ou com os procedimentos judiciais de forma relutante, atrasando ou tentando limitar seu envolvimento enquanto expressavam preocupação sobre suas prerrogativas como chefes de Estado. Mas nos últimos anos, a prática se tornou tão comum que os assessores de Obama disseram que o possível depoimento nunca foi questionado.

"Não houve nenhuma hesitação sobre sua disponibilidade - nenhuma", disse uma pessoa envolvida na questão.

Ele foi questionado na última quinta-feira em seu escritório de transição em Chicago por dois assistentes da promotoria e dois agentes do FBI investigando a suposta tentativa do governador Rod R. Blagojevich de Illinois, um democrata, de lucrar com sua indicação do sucessor de Obama ao Senado. O presidente eleito foi acompanhado por seu advogado pessoal, Robert F. Bauer, e um associado, mas não por Gregory B. Craig, que foi escolhido como representante da Casa Branca.

Obama não teve muita opção além de concordar com o depoimento, disseram os veteranos legais.

"Seria possível atrasar o depoimento com um bom advogado de defesa", disse Bennett, que conseguiu adiar o processo de assédio sexual de Paula Jones até depois da reeleição de Bill Clinton em 1996. "Podia pedir a uma corte por alternativas".

Mas Obama eventualmente teria que cooperar, disse Bennett.

"No mundo real, no começo de uma nova gestão, ele iria querer começar assim", ele afirmou. "Ele já imaginava as manchetes - aqui está um cara que fala de abertura e transparência".

- PETER BAKER

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