Obama faz comício para 150 mil no Colorado

DENVER ¿ O candidato democrata à presidência Barack Obama passou uma mensagem de confiança para 150 mil apoiadores leais em duas cidades do Colorado, neste domingo, prometendo que como presidente irá reconstruir a infra-estrutura do país e tirar as pessoas do buraco econômico, construindo uma ponte entre o povo dividido.

The New York Times |

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Obama faz visita ao Colorado
Nove dias antes da eleição, que acontece em 4 de novembro, em um Estado considerado crucial para os dois principais partidos políticos, a multidão de espectadores com óculos de sol no Centro Civil de Denver e, um pouco mais ao norte, na Universidade do Estado do Colorado fornecem um relato impressionante do poder atrativo de Obama.

A polícia disse que mais de 100 mil pessoas se enfileiraram em Denver para um comício no começo da tarde. Pouco depois, no mesmo dia, cerca de 45 mil se apertaram em um salão oval em uma escola na Fort Collin.

No discurso de 35 minutos que pronunciou duas vezes, Obama quase não mencionou a Guerra do Iraque. Em vez disso, fez fortes ataques ao oponente republicano, senador John McCain. Ele disse que o candidato, eleito presidente, iria seguir adiante com a atual política econômica da Casa Branca.

Sabemos como é a economia de Bush e de McCain, disse Obama. Por oito anos, vimos essa filosofia em ação; isso levou nossa economia para o caminho errado e não aguentaremos mais quatro anos iguais aos oito que se passaram.

Classe média

Ele pediu aos espectadores que levantassem suas mãos se recebessem menos do que U$250 mil por ano, apontando que seus planos para os impostos iriam beneficiar a classe média.

Parece que é a maioria de vocês, disse ele no Fort Collins, depois de quase todas as pessoas da barulhenta platéia levantarem a mão. Alguns presentes levantaram as duas.

Se vocês ganham menos do que um quarto de milhão de dólares por ano, o que inclui 98% de proprietários de pequenas empresas e, a propósito, 99,9% de encanadores, disse ele, provocando gargalhadas ao fazer uma menção ao favorito da campanha de McCain Joe, o encanador, então vocês não verão os impostos subirem nem um centavo. Esse é meu compromisso com vocês.

O porta-voz de McCain, Tucker Bounds, disse que seria Obama quem iria continuar as políticas atuais de Washington. Barack Obama não consegue nomear nenhum tema ou filosofia na qual ele se oponha ao Congresso, que é controlado pelos democratas ¿ nenhum, disse Bounds, em nota divulgada após os discursos de Obama. John  McCain se opõe às políticas de desperdício do presidente Bush, a sua política de energia, conhecida por Big Oil, e seus esforços em aumentar o governo federal em 40%. Obama apoia Bush em todos os três pontos.

Políticas do presidente Bush

Durante o discurso em Fort Collins, Obama desaprovou McCain e a linha de ataque de sua campanha. Outro dia, ele a levou a um novo nível. Disse que eu era como George W. Bush, disse Obama. Não se pode inventar esse tipo de coisa, pessoal. O senador McCain distorceu estranhamente as coisas, dizendo que de alguma forma eu iria continuar as políticas econômicas de Bush e que ele, John McCain, iria mudá-las.

Mas então, logo nesta manhã, o senador McCain disse que ele e o presidente Bush dividem a mesma filosofia. Certo, Colorado. Eu acho que John McCain finalmente está nos dando um pouco de direção em seu discurso e assumindo o fato de que ele e George Bush na verdade têm muito em comum. McCain fez a declaração, neste domingo, durante sua aparição na emissora de televisão NBC, no programa Meet The Press.

Obama tenta impulsionar sua campanha no Colorado, em meio à chegada da última semana de campanha para a presidência, que já dura 18 meses. Diversas pesquisas nacionais divulgadas durante o fim de semana colocou-o em 8 pontos ou mais à frente de McCain. Cerca de um quarto dos eleitores elegíveis no Colorado já registraram seu voto, disseram oficiais das eleições.

Obama voltou para o percurso da campanha neste sábado, após uma parada para visitar sua avó doente no Havaí. Nos dois comícios do Colorado, o senador de Illinois apareceu alegre e descontraído.

No começo de seu discurso em Denver, ele perguntou para as 100 mil pessoas que estavam lá se existem pequenos públicos em Denver, fazendo referência a sua aceitação para a nomeação democrata em agosto, na presença de 84 mil pessoas no estádio de futebol americano Denver Broncos.

Próximo presidente

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Democrata faz comício em Estado crucial 
Ele riu alto durante o discurso em Fort Collins, agradecendo ao veterano militar que viu na fileira da frente e dizendo que o campus da universidade era tão bonito que ele deveria ter estudado lá.

Com certeza, aqueles não eram eleitores indecisos. Muitos dos espectadores, envoltos em jaquetas e chapéus, disseram ter vindo ouvir o homem que deve ser o próximo presidente.

Julie Nosek, 72, de Longmont no Colorado, disse que já viu ao vivo todos os homens que foram presidentes desde Herbert Hoover. Ela disse que tinha uma dispensa especial para não ir à igreja, para poder ver Obama neste domingo. Eu pensei não quero perder isso se ele é o próximo presidente, disse ela.

Obama disse mais de uma vez quando for presidente, em vez de se eu for presidente. Em ambos os discursos, ele enfatizou que a nação terá que fazer sacrifícios nessa época difícil, pedindo aos americanos que adotem uma ética de responsabilidade... porque agora, mais do que nunca, estamos nisso juntos.

Eu posso investir mais dinheiro na educação, mas não posso ser os pais que desligam a televisão e guardam os videogames para ter certeza de que a criança está fazendo sua lição, disse ele. Podemos investir mais dinheiro na produtividade de energia... mas todos vocês devem ter a responsabilidade de isolar suas casas (métodos usado no inverno, em locais onde há neve, para economizar o uso do aquecedor) ou desligar as luzes quando deixarem um cômodo. Parecem coisas pequenas, mas acrescentam.

Obama disse que a nação já está sendo testada de uma forma que não vemos há quase um século. Essa palavra, testado, tirou suspiros de preocupação da equipe de Obama na última semana, porque seu vice, senador Joe Biden, disse recentemente em um evento social que Obama seria testado em seus primeiros dias como presidente. Isso estimulou a campanha de McCain para fazer menção à inexperiência de Obama. McCain disse em seus discursos na última semana que ele já foi testado.

Gerações futuras irão nos julgar pela maneira como reagimos a esse teste, disse Obama. Será que eles dirão que essa é uma época em que os americanos perderam a coragem e o propósito? Quando perderam o rumo? Iremos permitir que a política nos separe mais uma vez?

Um apelo aos americanos

Na última parte dos dois discursos, ele parou de falar sobre McCain e pediu para que os eleitores jovens na platéia em Fort Collins servissem seu país, prometendo pagar o ensino da universidade às pessoas que servirem no exército ou se empregarem em abrigos de pessoas sem moradia, em escolas de alto risco ou em hospitais pobres.

Ele disse que iria dar emprego a dois milhões de pessoas para reconstruir a infra-estrutura da nação, e se perguntarem como iremos pagá-los, diremos que se podemos gastar U$ 10 bilhões no Iraque em um mês, podemos gastar mais ainda para reconstruir os Estados Unidos.

Obama tentou convencer eleitores aborrecidos de que depois de anos de uma retórica política de discórdia, suas políticas iriam ajudar aqueles que estão se esforçando enquanto o país enfrenta uma recessão econômica, um abismo no mercado de ações e guerras no Iraque e no Afeganistão.

Com os desafios e a crise que estamos enfrentando agora, não podemos estar divididos ¿ não por classe, por raça, por região, nem pelo que somos, disse ele. Não há partes falsas ou que não sejam verdadeiras nesse país; todos nós o amamos, não importa onde vivemos, não importa de onde viemos.

Por Allison Sherry

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