Obama evita pedido de desculpas ao Paquistão por bombardeio da Otan

Casa Branca avaliou que expressões de remorso oferecidas por oficiais sênior do departamento e por Hillary Clinton são suficientes

The New York Times |

A Casa Branca decidiu que, pelo menos, o presidente Barack Obama não vai pedir desculpas formalmente ao Paquistão pela morte dezenas de soldados do país em ataques aéreos da Otan na semana passada, indeferindo oficiais do Departamento de Estado, que defendiam uma demonstração de remorso para ajudar a salvar relação dos Estados Unidos com o Paquistão , disseram oficiais do governo.

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AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, conclui pronunciamento em que confirmou retirada total do Iraque (21/10/2011)

Na segunda-feira, Cameron Munter, o embaixador dos Estados Unidos para o Paquistão, disse a um grupo de oficiais da Casa Branca que uma declaração formal em vídeo de Obama era necessária para ajudar a prevenir a deterioração das relações entre Islamabad e Washington, de acordo com oficiais do governo.

O embaixador, falando de Islamabad por videoconferência, disse que a raiva sentida no Paquistão está perto do seu auge, e que os Estados Unidos precisavam agir para desarmá-la o mais rápido possível.

Oficiais do Departamento de Defesa rejeitaram o pedido. Embora eles não tenham negado alguma culpabilidade dos Estados Unidos no episódio, disseram que expressões de remorso oferecidas por oficiais sênior do departamento e pela secretária de Estado Hillary Clinton foram suficientes, pelo menos até a conclusão de uma investigação militar dos Estados Unidos estabelecer o que saiu errado na operação.

Alguns assessores do governo também temem que se Obama anular os militares e pedir desculpas ao Paquistão, ele poderia alimentar os seus adversários republicanos na campanha presidencial , de acordo com vários oficiais que não quiseram se identificar, porque eles não estavam autorizados a falar publicamente .

Na quarta-feira, oficiais da Casa Branca disseram que Obama não falaria mais sobre o assunto nos próximos dias. "O governo dos Estados Unidos ofereceram suas mais sentidas condolências pela perda da vida de soldados (paquistaneses), pela Casa Branca, bem como pela secretária Hillary Clinton e pelo secretário Panetta", disse Tommy Vietor, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, referindo-se ao secretário da Defesa, Leon E. Panetta, "e nós estamos conduzindo uma investigação sobre o incidente. Não podemos fazer comentários adicionais sobre as circunstâncias do incidente até que tenhamos os resultados".

A relação tensa dos Estados Unidos com o Paquistão tem sido golpeada por crises ao longo desse ano, do assassinato de dois paquistaneses por um contratado da CIA à invasão do território do país realizada na ação que matou Osama bin Laden.

As dores de cabeça causadas pelo relacionamento fizeram com que o Paquistão tenha poucos amigos dentro do governo americano. Como um ex-oficial de alto escalão dos Estados Unidos que tem sido informado sobre as deliberações recentes do governo disse, "agora não há pessoas amigáveis em relação ao Paquistão" na Casa Branca.

Por Helene Cooper e Mark Mazzetti

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