Obama escolhe equipe para mudar a política externa dos EUA

WASHINGTON - Quando o presidente eleito Barack Obama apresentar sua equipe de segurança nacional nesta segunda-feira, ela incluirá dois veteranos da Guerra Fria e rivais políticos cujo passado é mais beligerante do que o novo presidente que os enfrentará na Sala de Situação da Casa Branca.

The New York Times |

    Ainda assim, todas as suas escolhas (a senadora Hillary Rodham Clinton como secretária de Estado, o general James L. Jones, ex-comandante da Otan escolhido como conselheiro de segurança nacional, e Robert M. Gates, atual e futuro secretário de defesa) foram feitas em grande parte porque representam pessoas dispostas a abraçar as enormes mudanças propostas aos recursos de segurança.

    As mudanças, que acontecerão parcialmente no enorme orçamento militar, criarão um corpo de diplomatas e trabalhadores muito maior que, na visão da gestão Obama, se envolverá em projetos cujo objetivo será prevenir conflitos e reconstruir Estados em todo o mundo.

    Se eles conseguirem executar a mudança (da qual Obama fala desde o verão de 2007, quando sua candidatura ainda não passava de um sonho) "será o grande experimento de política externa da presidência de Obama", afirmou um de seus consultores recentemente. Mas segundo ele, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a comentar o assunto, disse que os três abraçaram "a ideia de um novo equilíbrio para a segurança nacional da América" depois de um enorme investimento em novas capacidades de combate durante a gestão Bush.

    Os consultores de Obama disseram que já se preparam para acusações da direita de que ele está investindo em trabalho social ao invés de combater o terrorismo. Mas também esperam batalhas dentro do partido democrata a respeito do direcionamento prometido por Obama durante a campanha de US$1 bilhão de dólares em ajuda para a reconstrução do Afeganistão, que poderia ser usado internamente na criação de empregos.

    A melhor cobertura política de Obama pode vir de Gates, ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) e veterano da Guerra Fria. Há um ano, diante de um silêncio estudado da Casa Branca de Bush, ele começou a realizar discursos sobre os limites do poder militar em guerras nas quais a vitória bélica não é possível.

    Ele também denunciou "o fim da capacidade americana de se envolver, comunicar e ajudar outras partes do mundo - o 'poder suave' que foi tão importante durante a Guerra Fria". Ele culpou as gestões de Clinton e Bush e chegou a dizer que "parece que esquecemos a lição do Vietnã".

    - DAVID E. SANGER

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