Obama é pressionado a se posicionar sobre direitos da comunidade gay

WASHINGTON - O presidente Barack Obama manteve um perceptível silêncio no mês passado, quando a Corte Suprema de Iowa reverteu a proibição estadual ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

The New York Times |

Mas agora, Obama (que disse se opor ao casamento gay como cristão, mas descreveu a si mesmo como um "defensor da igualdade" para homens e mulheres homossexuais) está sob pressão para que se posicione em inúmeros assuntos relacionados a essa comunidade diante de uma série de mudanças sociais, políticas e legislativas.

Dois possíveis indicados de Obama à Suprema Corte são abertamente homossexuais, mas alguns ativistas reclamam que não haja nenhum gay em seu gabinete e começam a preparar uma campanha para influenciar sua escolha para substituir o juiz David H. Souter, que deve se aposentar em breve. O casamento entre pessoas do mesmo sexo avança em inúmeros Estados (o último a permitir a prática é o Maine) e uma nova série de conflitos no Distrito de Colúmbia pode colocar a controvérsia nas mãos do presidente.

A nova iniciativa de saúde global de Obama irritou os ativistas que afirmam que ele não concedeu aos programas de combate à Aids financiamento suficiente. Além disso, ainda que o presidente tenha pedido que o Congresso aprove um projeto de lei contra crimes de ódio, uma prioridade dos grupos homossexuais, ele atrasou ações em uma de suas promessas de campanha, que rejeitaria a regra militar "não pergunte, não diga".

Uma vez que questões sociais como o casamento entre pessoas do mesmo sexo trazem consigo uma mistura de princípios há muito mantidos e ações políticas, muitos ativistas, cientes que Obama também está lidando com enormes desafios domésticos e internacionais, pedem paciência.

Mas alguns estão abalados pelo que consideram uma postura cautelosa por parte do presidente. Nas palavras do escritor David Mixner, os gays estão começando a questionar: "por quanto tempo devemos dar a ele o benefício da dúvida?"

Se Obama fosse abraçar o casamento gay, ele teria que reverter uma posição de campanha e alienar alguns eleitores moderados e religiosos. E caso ele indique um homossexual à Suprema Corte, ele será visto pelos conservadores sociais (que incluem religiosos negros, outro grupo importante de seu eleitorado) como tendo colocado um voto a favor do casamento gay na corte de mais alto escalão do país.

"Este seria o primeiro passo para abrir o portão para o outro lado", disse o bispo Harry J. Jackson Jr. da Igreja da Esperança Cristã de Beltsville, Md., que  está organizando protestos em Washington, onde o Conselho Municipal aprovou o reconhecimento do casamento homossexual realizado em outros Estados.

Tobias Wolff, professor de Direito da Universidade da Pensilvânia que foi o principal conselheiro de Obama a respeito de direitos homossexuais durante a campanha presidencial, afirmou que o presidente precisa de tempo para criar um consenso.

"Eu acho que ele tem sabe genuinamente que para seguir adiante com certas questões terá que conseguir mais espaço", disse Wolff.

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