Obama e Hillary prometem promover direitos aos gays no exterior

Governo americano não detalharam como darão impulso a medidas para impedir o desrespeito aos direitos dos homossexuais

The New York Times |

O governo Obama anunciou na terça-feira que os Estados Unidos irão usar todas as ferramentas diplomáticas a seu alcance, incluindo a ajuda externa, para promover os direitos dos gays ao redor do mundo.

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Reuters
Secretária de Estado americana Hillary Clinton durante convenção em Genebra (7/12)

Em um memorando emitido pelo presidente Barack Obama em Washington e em um discurso da secretária de Estado Hillary Clinton realizado em Genebra, o governo prometeu combater ativamente os esforços de outras nações para criminalizar a conduta homossexual, além de permitir abusos a gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros, ou ignorá-los.

"Alguns têm sugerido que os direitos dos homossexuais e os direitos humanos são separados e distintos", disse Hillary no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, "mas na verdade eles são um e a mesma coisa".

Nem Obama nem Hillary especificaram como dar impulso às iniciativas. Caitlin Hayden, porta-voz adjunta do Conselho de Segurança Nacional, disse que o governo "não irá cortar ou vincular" a ajuda externa a mudanças nas práticas de outras nações.

Ainda assim, colocar uma questão de tanta importância na agenda de política externa do governo Obama é algo importante e, simbolicamente, muito parecido com a ênfase dada pelo presidente Jimmy Carter (1977 - 1981) aos direitos humanos.

Com sua campanha já em andamento para a disputa presidencial de 2012 , o anúncio de Obama pode reforçar o apoio entre os eleitores e doadores homossexuais, que questionaram a profundidade de seu compromisso com o grupo.

A iniciativa igualmente pode gerar ataques por parte dos republicanos que tentam apelar a uma base conservadora nos Estados onde ocorrem as primárias.

Um candidato republicano, o governador Rick Perry do Texas, disse: "O presidente Obama voltou a equivocar a tolerância dos Estados Unidos para estilos de vida diferentes, com um endosso a esses estilos de vida e eu não vou cometer esse erro."

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A medida também poderia irritar alguns aliados dos Estados Unidos, incluindo países como a Turquia, onde tem havido relatos de assédio contra homossexuais, e a Arábia Saudita, onde a homossexualidade é proibida e o sexo entre pessoas do mesmo sexo é punível com morte ou flagelação.

Hillary antecipou a sensibilidade do assunto para alguns países mais conservadores e argumentou que os direitos dos homossexuais transcendem nacionalidades, os limites da política e até mesmo das culturas, afirmando que são direitos universais, como aqueles adotados por 48 nações após a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) no documento chamados de Declaração Universal dos Direitos Humanos.

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O anúncio formaliza medidas já solicitadas por Hillary. Ela pediu que diplomatas americanos levantem a questão sempre que surgir o assédio ou abuso e exigiu um registro deles no relatório anual do Departamento de Estado sobre direitos humanos. Na terça-feira, ela também anunciou um programa de US $ 3 milhões para financiar organizações de direitos homossexuais para combater a violência, a discriminação e outros abusos.

Por Steven Lee Myers e Helene Cooper

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