Obama descobre armadilhas em falar o que pensa

WASHINGTON - Não há uma manual para o Salão Oval, nenhuma escola onde aprender a ser presidente. Talvez ainda mais desafiador para qualquer novo presidente seja aprender sobre o real poder de seu megafone. Toda palavra improvisada, toda declaração espontânea, todo comentário com base na emoção e não na razão se arrisca a ter sérias consequências.

The New York Times |

O presidente Barack Obama foi lembrado de tudo isso na semana passada, quando declarou que a polícia de Cambridge, Massachussets, tinha "agido estupidamente" prendendo um proeminente estudante negro em sua própria casa. Ele não  antecipou como essas palavras inflamariam um já difícil debate nacional sobre a raça. Mas ele logo concluiu que, como seus ajudantes citaram, "foi estúpido usar a palavra estupidamente".

Muitos analistas políticos ficaram surpresos porque Obama parece muito disciplinado. Quando ele fala de improviso, geralmente faz inúmeras pausas e parece estar refletindo sobre as respostas mesmo ao proclamá-las.

Mas seus comentários na semana passada sobre o caso do professor de Harvard Henry Louis Gates Jr. não foram um deslize da língua, segundo seus conselheiros. Obama disse o que quis dizer. A questão é: será que presidentes realmente podem fazer isso?

"Eles querem ser genuínos, eles querem falar o que pensam", disse Ari Fleischer, que foi secretário de imprensa do presidente George W. o Bush. "Mas sabem que não podem falar como antes. Se forem sinceros demais, isso pode realmente voltar para assombrá-los."

Obama aprendeu em várias ocasiões que declarações espontâneas podem se voltar contra ele. Uma piada sobre Nancy Reagan atrasar sessões exigiu que ele se desculpasse. (Ela disse à revista Vanity Fair que ele lhe confessou estar pensando em Hillary Rodham Clinton quando disse aquilo.) Ele teve ainda que pedir desculpas depois de brincar que suas habilidades no boliche são tão ruins que o qualificariam para os Jogos Paraolímpicos.

John D. Podesta, que foi o chefe de gabinete do presidente Bill Clinton e aconselhou Obama, disse que o novo  presidente irá aprender. "O mais notável a respeito do presidente Obama é sua disciplina (sempre empresarial, nunca pessoal)", disse Podesta. "Este foi um pouco pessoal demais, mas suspeito que não veremos isso acontecer novamente, pelo menos não no futuro próximo."

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