Obama corteja voto das mulheres americanas para reeleição

Presidente dos EUA usa debate sobre nova lei do sistema de saúde para ampliar apelo a mães, jovens e americanas mais velhas

The New York Times |

A campanha de reeleição do presidente americano, Barack Obama , deu início nesta semana a um intenso esforço para conquistar o apoio das mulheres americanas, usando o debate sobre a nova lei do sistema de saúde para ampliar um apelo que já parece estar se beneficiando dos confrontos partidários que falam sobre o controle de natalidade e o aborto.

No dia 19 de março, malas diretas serão entregues a 1 milhão de mulheres em mais de uma dúzia de Estados em três versões diferentes: direcionadas para as mães, jovens mulheres e mulheres mais maduras, explicaram oficiais do Partido Democrata.

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Um esforço apelidado de Enfermeiras de Obama começou no dia 14 de março, com as enfermeiras de todo o país se alistando para defender a lei do sistema de saúde em suas comunidades. Um novo site incluirá links para depoimentos em vídeo sobre a reforma da saúde assinada por Obama em 2010, incluindo o depoimento de uma ex-crítica da reforma que posteriormente foi diagnosticada com câncer de mama.

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Campanha de reeleição do presidente americano lançou mão de esforços para atrair o eleitorado feminino (9/3)
Durante todo o mês, que será encerrado com o que o comitê tem chamado de a "Semana da Ação da Mulher", agentes da campanha devem organizar grupos que farão telefonemas ao eleitores, implementarão atividades nos campi universitários, além de festas e eventos que incluam os moradores da região com ajuda da polícia local, disseram as autoridades.

A campanha está tentando usufruir do atual clima político para recuperar a tradicional vantagem democrata entre as mulheres, até mesmo para aproveitar o desencanto das republicanas moderadas e independentes com o foco republicano nas questões sociais.

As mulheres faziam parte de 53% do eleitorado nacional em 2008 e, levando em consideração o fato de que o apelo do partido de Obama continua fraco entre os homens brancos, elas são cruciais para a sua reeleição. Embora Obama tenha conquistado 56% de seus votos há quatro anos, as mulheres acabaram dando seu voto para os republicanos nas eleições legislativas de 2010, o que fez com que os democratas perdessem seus lugares na Câmara.

Estratégia

O esforço da campanha para chamar a atenção das mulheres para a lei do sistema de saúde foi planejado com antecedência para coincidir com o segundo aniversário de quando Obama a assinou no dia 23 de março, disseram oficiais da campanha. Mas o esforço ganhou intensidade, eles acrescentam, por causa de recentes controvérsias em torno do aborto, da contracepção e da educação em Washington e nas capitais dos Estados.

"Até seis semanas atrás, os democratas sofriam de um desnível muito grande, mas que melhorou à medida que as mulheres, especialmente as mulheres suburbanas, se voltaram contra o Partido Republicano", disse Peter D. Hart, um pesquisador democrata que não é filiado à campanha.

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Alguns republicanos e analistas independentes disseram que o atual debate sobre as questões sociais irão desaparecer em breve e que serão encobertos por preocupações sobre a economia. "Ninguém acha que esse assunto vai importar muito daqui alguns meses", disse Vin Weber, lobista republicano e ex-congressista. "Eu certamente acho que não."

Mas outros republicanos estão preocupados.

"A imagem do partido como um todo tem sido prejudicada", disse John Feehery, um consultor de relações públicas em Washington nos anos 90. Feehery mencionou um ensaio recente publicado em seu site, que oferece conselhos a outros republicanos cujo título é: "Ouça a Sua Esposa."

Obama está fazendo sua parte para tentar concentrar seu apelo nas mulheres. Seu discurso em um comício de arrecadação de fundos na noite do dia 9 de março em Houston foi bem comum, ele abriu o discurso falando de suas realizações: "A mudança é a primeira coisa que eu assinei em lei determinando que as mulheres merecem o mesmo salário que qualquer um."

Aprovação

Uma pesquisa New York Times / CBS News realizada em meados de fevereiro mostrou que as mulheres, que em uma enquete feita em janeiro deste ano haviam desaprovado o desempenho de Obama por uma margem de 46% a 48%, hoje demonstraram uma aprovação dele de 38% a 53% (homens o desaprovaram de 45% a 49%, aproximadamente a mesma porcentagem que no mês anterior).

Uma enquete feita este mês pelo Wall Street Journal / NBC News mostrou que Obama estava à frente de Romney, o candidato republicano favorito, com 6 pontos de vantagem, enquanto o presidente tinha uma vantagem sobre Romney de 6 pontos entre os homens, ele possuía vantagem de 18 pontos entre as mulheres.

"As mulheres de 30 a 55 anos são sempre o alvo mais importante em relação aos cuidados de saúde", disse Bill McInturff, pesquisador republicano que conduz a pesquisa do Wall Street Journal / NBC News. "Elas normalmente são as responsáveis pelos cuidados da família, cuidando de crianças e de pais, e são mais engajadas e ativas no sistema de saúde. Mais do que qualquer outra faixa etária e sexo. Não surpeende que a meta da campanha de Obama seja a de focar seus esforços nessa questão.”

*Por Jackie Calmes

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