WASHINGTON - O presidente Barack Obama assegurou a China e outros países no sábado de que seu investimento na dívida americana está seguro, conforme ele busca financiar um déficit recorde para retirar a economia americana de sua profunda recessão.


"Há um motivo porque mesmo no meio desta crise econômica vocês são capazes de ver um aumento no fluxo de investimento nos Estados Unidos", disse Obama aos repórteres. "Eu acho que é um reconhecimento da estabilidade não apenas de nosso sistema econômico, mas de nosso sistema político".

Ele acrescentou: "Não apenas o governo chinês, mas cada investidor pode ter absoluta confiança na qualidade dos investimentos nos Estados Unidos".

Os comentários de Obama aconteceram um dia depois que o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, expressou preocupação em relação à segurança do investimento de US$ 1 trilhão feito por Pequim na dívida americana. Obama precisa que investidores estrangeiros financiem o déficit de US$ 1.75 trilhões projetado para este ano, exaltado pelo gasto com o estímulo e resgate financeiro, e nenhum é mais essencial do que a China, o maior investidor em ações do governo americano.

AP

Lula e Obama na Casa Branca, onde concederam entrevista

Obama assegurou os países depois de um encontro com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Eles discutiram a cooperação energética e a crise econômica, tentando coordenar ideias antes de encontros em cúpulas futuras.

Lula pressionou Obama para que ajude a reabrir as negociações da Rodada de Doha e baixe as tarifas que mantêm o biocombustível brasileiro fora do mercado americano. Obama disse que eles tiveram um "maravilhoso encontro de mentes" e expressou interesse em avançar as negociações comerciais, mas indicou que nenhuma mudança de tarifa acontecerá em breve.

A visita precoce de Lula à Casa Branca sugere que Obama planeja retomar a tentativa do presidente George W. Bush de transformar o Brasil em um país chave na política do país para a América Latina. David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília, disse que o encontro "reforça a crescente liderança do Brasil na região".

Lula tem sido a voz da liderança em pedir que os Estados Unidos moderem seus acordos com a América Latina. Ele também fez questão de comparar a si mesmo com Obama, citando similaridades em sua origem e os desafios que tiveram que sobrepujar para liderar seus países.

Sentado a seu lado no Salão Oval, Lula disse que rezou mais para Obama do que para si mesmo e que, com todos os problemas que tem diante de si, ele não gostaria de estar no lugar do americano. Obama sorriu e respondeu, "Parece que você tem falado com minha mulher".

Por PETER BAKER e ALEXEI BARRIONUEVO

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