Obama afia a língua para criticar McCain e Palin

LEBANON, Virgínia. ¿ Um novo personagem esquentou os comícios da campanha do senador Barack Obama: seu nome é John McCain.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Começou discretamente na segunda-feira em Michigan, mas cresceu quando Obama seguiu de Flint para Farmington Hills, discursando na manhã de quarta-feira, em Ohio. Quando ele chegou para uma parada ao sudoeste de Virgínia, as palavras de Obama tinham tantas referências a McCain quanto a ele próprio, insinuando como a campanha de McCain vem conduzindo a disputa presidencial.  

John McCain disse que ele é a mudança também ¿ exceto pela política externa, pela política educacional, pelo sistema de saúde, pelos impostos e pelo estilo Karl Rove de fazer política, disse Obama a seus apoiadores. Ele só está chamando a mesma coisa de uma coisa diferente.

Com um sorriso, adicionou: Você pode colocar batom em um porco e ele ainda será um porco. Você pode embrulhar um peixe velho em um pedaço de papel e chamá-lo de mudança; ele ainda vai feder depois de oito anos.

Ao sinal mais recente do endurecimento da campanha, apoiadores de McCain responderam em minutos e pediram a Obama que se desculpasse com a governadora Sarah Palin devido à referência ao batom.  

Mas para aqueles na plateia, estava claro que Obama estava repetindo uma frase antiga ¿ batom em um porco ¿ e se referindo às políticas de McCain. Ele ainda não tinha mencionado Palin naquele momento do discurso.  

A troca de acusações acontece na medida em que Obama aumenta sua própria retórica para atrair de volta a atenção que Palin roubou na semana passada.    

Por toda a discussão sobre as pesquisas essa semana, talvez o melhor medidor do estado atual da campanha eleitoral posse ser encontrado ao simplesmente ouvir Obama conforme o dia da eleição se aproxima.   

Subindo o tom

Com apenas a 57 dias do fim da campanha presidencial, Obama está indo atrás de McCain de maneira mais agressiva que em qualquer outro ponto da campanha, com o tom professoral dando lugar ao tom de acusação. Esses dias, ele soa mais como um daqueles comerciais afiados vistos na televisão. 

Vocês realmente acham que McCain vai fazer diferença agora? perguntou Obama, mencionando o nome da rival duas vezes no mesmo fôlego, um padrão que ele repete de novo e de novo. McCain não entende.

Seus assessores dizem que a ofensiva é essencial para aliviar qualquer progresso que McCain tenha conseguido ao invadir a mensagem de mudança característica de Obama. Ou talvez seja em resposta aos alarmes de democratas que acreditavam que ele estava sendo muito moderado.

Mas as palavras de Obama curiosamente remetem ¿ inclusive o tom zombador ¿ ao que ele dizia há um ano quando a senadora Hillary Clinton repentinamente tentou roubar o manto da mudança e Obama mostrou uma garra que muitos democratas achavam que ele não seria capaz de exibir. 

Obama já esteve nessa posição antes: procurando a temperatura ideal para criticar ¿ ou atacar ¿ seu rival mais agressivamente, mas sem manchar sua própria imagem de tentar estar acima dos políticos tradicionais. Enquanto entra nas últimas oito semanas da disputa, dizem os assessores, as lições das primárias permanecem vivas na mente de Obama.   

McCain e Palin

Há um mês. Eles estavam dizendo experiência, experiência, experiência, disse Obama, falando sob forte aplauso em um ginásio escolar. Então, escolheram Palin e começaram a falar sobre mudança, mudança, mudança. O que aconteceu? O que aconteceu? O que aconteceu?  

Por um dos poucos momentos em sua candidatura presidencial, Obama de repente não é a figura mais nova e a que aparece melhor na televisão. Enquanto ele parece ter investido em uma linha de ataques contra McCain, sua campanha parece, nos últimos 12 dias, deixar claro que ainda está lutando contra sua aproximação de Palin.

Ele declarou que a família dela está fora dos limites. Ele citou a biografia dela, dizendo à plateia, mãe, governadora, caçadora de alces ¿ isso é legal. Mas ele mirou em seu mandato como governadora do Alasca e questinou vigorosamente sua postura sobre a conhecida ponte para lugar nenhum.  

Ela era a favor até todos começarem a questionar a ponte e quando foi concorrer para o cargo de governadora, ela de repente era contra, afirmou Obama, falando sob palmas em Michigan. Quero dizer, você não pode fazer essa bagunça com as coisas. Você não pode se recriar. Você pode apenas se reinventar. O povo americano não é estúpido.

Há vários sinais nos últimos dias de que os eleitores que foram ver Obama gostaram de seu tom mais forte, com muitos na platéia entoando com ele oito (anos) são suficientes! que se tornou um clamor de campanha pela mudança em Washington.

Novamente fortificado, sua presença e energia no palco se parece com o modo como ele começou a agir quando a batalha com Hillary Clinton nas primárias se tornou completamente engajada.  

Mas, como naquela disputa, a postura agressiva de Obama vem com armadilhas ¿ reais ou criadas pela oposição ¿ na medida em que ele navega novamente pelo terreno trapaceiro dos gêneros políticos. 

Enquanto a carreata de Obama passava pelo interior de Appalachian na terça-feira a noite, assessores no escritório central da campanha em Chicago lutavam contra as críticas do episódio porco de batom, certamente tentando dirigir a conversa de volta aos ataques a McCain. 

Por JEFF ZELENY

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