Obama adota 'retorno da grande nação' como tema de campanha

Enquanto republicanos apontam problemas do país, presidente apresenta mensagem de otimismo que pode ser perigosa

The New York Times |

O presidente Barack Obama tem uma nova mensagem ao povo americano: os Estados Unidos estão de volta à boa forma.

O presidente tem usado uma narrativa de otimismo nas últimas semanas, pintando o retrato de um país que, guiado por ele e fortalecido por seus trabalhadores, está prestes a voltar ao seu passado glorioso. O discurso é muito parecido com aquele feito por Ronald Reagan em 1984, durante sua campanha de reeleição, e busca contrastar com o discurso pouco otimista dos republicanos. Em janeiro, Obama usou as mesmas três palavras usadas por Reagan: America is back (A América está de volta, em tradução livre).

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobe ao palco da Universidade de Miami (23/02)

É claro que, com esse discurso, Obama mostra que é parte fundamental no processo. No dia 28 de fevereiro, em um entusiasmado discurso no sindicato dos trabalhadores do setor automobilístico , o presidente americano disse que “aposta nos trabalhadores americanos“ e que a “indústria automobilística do país está de volta à boa forma“. O discurso foi centrado no muito criticado plano de recuperação do setor lançado três anos atrás.

Enquanto republicanos como Mitt Romney reinforçam em seus discursos que o país perdeu seu poderio global e força econômica, Obama usa a estratégia da esperança já abordada por sua campanha em 2008.

Mas nem todos apoiam essa estratégia. Para alguns, apesar do crescimento nas pesquisas, a situação de Obama pode mudar a qualquer momento com a divulgação de dados negativos, como uma nova alta no petróleo ou uma fraca política internacional no Irã e Afeganistão, e fazer com que ele se pareça com um sonhador, alguém distante da realidade.

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Alguns liberais argumentam que o tom otimista de Obama está desalinhado com a realidade americana e que seria mais positiva uma campanha evidenciando as diferenças entre democratas e republicanos. Uma pesquisa feita pela empresa Greenberg Quinlan Rosner com mil eleitores democratas mostra que o discurso “A América está de volta“ é extremamente fraco quando comparado com outras mensagens proferidas por Obama.

“Leva muito tempo para que números importantes, como relativos ao emprego, mudem e a população passe a acreditar que a situação está, de fato, melhor“, diz Stanley Greenberg, chefe–executivo da Greenberg Quinlan Rosner.

Representantes da Casa Branca dizem que estão sendo cautelosos sobre ir muito longe com a campanha do otimismo e que o presidente Obama irá explicar o potencial de um futuro melhor, defendendo, obviamente, que o país não deve voltar às políticas republicanas, já que foram estas que ajudaram a colocar o país em crise.

Para reforçar a ideia de que o país está progredindo, Obama usa dados estatísticos. No dia 28 de fevereiro foi a vez da General Motors servir de exemplo à campanha otimista com o “estar de volta ao topo como a montadora número um do mundo, com os maiores lucros registrados em seus 100 anos de história“ e com “a Chrysler crescendo mais rápido nos Estados Unidos do que qualquer outra montadora“.

No mesmo dia, Obama visitou a fábrica da Boing, in Everett, e se maravilhou com o novo Boing 787 Dreamliner (“É mais leve, mais rápido, mais eficiente do que qualquer outro avião de sua categoria, e é tão legal“). A equipe da campanha lançou um relatório sobre o ressurgimento da indústria americana, defendendo que o plano de estímulo do presidente Obama ajudou o setor e a criar quase 400 mil empregos.

Há três semanas, o Departamento do Trabalho divulgou que a taxa de desemprego caiu de volta aos níveis vistos no primeiro mês de Obama no cargo (8,3%).

Aliados democratas promoveram eventos próximos a negócios locais em todo o país, mostrando gráficos sobre as taxas de emprego oferecidos pela campanha de Obama.

O uso de tecnologia continua sendo um aliado na campanha de reeleição do presidente americano. Gráficos distribuídos nas ruas do país e que mostram a melhora na situação do emprego a partir da entrada de Obama na presidência já deram voltas no Facebook, Twitter.

As mídias sociais também são palco para ataques diários ao concorrente republicano Mitt Romney.

Outra estratégia de Obama é mostrar a si mesmo como um candidato digno de estima. Ele conversa com repórteres na sala de imprensa do avião presidencial Air Force One e mostra-se entusiasmado ao ajudar um estudante na demostração de um atirador de marshmallow na feira de ciências da Casa Branca.

A primeira dama, Michelle Obama, e o primeiro cão, Bo, surpreenderam turistas ao serem vistos na asa leste da Casa Branca. Na última semana, Obama cantou de improviso, pegando o microfone durante um evento de jazz na Casa Branca para cantarolar um verso da canção ” Sweet Home, Chicago ”. Em janeiro, ele cantou um trecho de uma música de Al Green no Teatro Apollo.

“Ele está canalizando uma aparência de otimismo, positivismo e patriotismo, que são virtudes tradicionais da maior parte dos presidentes que competem para reeleições“, comentou Edmund Morris, autor de "Dutch: A Memoir of Ronald Reagan".

No final, o sucesso do novo tema de campanha de Obama e sua reeleição vai depender mais da realidade do que qualquer coisa que ele diga . Reagan teve uma taxa de desemprego menor em seu primeiro mandato – 8% - e uma maior taxa de aprovação em relação a Obama. Um tom de otimismo é difícil de projetar quando a economia não ajuda.

Por Helene Cooper

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