Obama adota novo tom diante da crise

WASHINGTON - Por pouco menos de uma hora na noite de terça-feira, os americanos não viram o orador ardente e inspirado que fixou a nação em seu discurso ao Congresso no mês passado. Nem o candidato bom de papo que falou de forma acolhedora com americanos, ao percorrer o país, tampouco o animado e engraçado presidente que participou do programa de Jay Leno.

The New York Times |

Ao invés disso, em sua segunda coletiva de imprensa em horário nobre na Casa Branca, Barack Obama foi o conferencista, uma personagem que adotava no começo da campanha ao cargo que hoje ocupa. Plácido e sério, ele foi o professor no comando, oferecendo argumentos conhecidos em parágrafos longos (geralmente começados com a frase: "como eu disse anteriormente") soando como um mestre no silêncio de uma sala de aula na qual os alunos aguardam ansiosos pelo sinal.

O evento no Salão Leste aconteceu em um momento volátil para o novo presidente, enquanto ele buscava sanar apreensões democratas em relação a sua ambiciosa agenda e evitar a forte oposição republicana. Falando não apenas aos repórteres na sala, mas a milhões de americanos que sintonizaram na transmissão, Obama tentou ressegurar o país de que pode resolver a crise que atingiu a economia por mais de um ano.

"Nós começamos a ver sinais de progresso", ele disse, pedindo a "renovação da confiança de que dias melhores virão".

Conforme senadores receosos de seu próprio partido removiam algumas das propostas de seu orçamento, Obama deu sinais de que pode fazer concessões a curto prazo em relação aos cortes de impostos para a classe média e a limitação nas emissões de dióxido de carbono. Mas ele indicou que irá se manter firme em quatro de suas principais prioridades, insistindo que o Congresso tenha progresso nestas áreas.

"Nós não esperávamos quando criamos nosso orçamento que eles simplesmente copiassem tudo e aprovassem", disse Obama, demonstrando flexibilidade a respeito dos detalhes desde que o objetivo central fosse atingido. "A questão final é que eu quero ver a saúde, a energia, a educação e sérios esforços em reduzir nosso déficit orçamentário".

Em um momento em que a raiva e a ansiedade tomam conta do país, Obama demonstrou pouca emoção. Ele raramente brincou ou ergueu o tom de sua voz. Mesmo ao se declarar preocupado com os bônus de US$165 milhões pagos neste mês pelo AIG apesar dos resgates que sofreu, sua voz soava calma e imperturbável. "Eu estou tão bravo quanto todo mundo a respeito destes bônus", ele disse, acrescentando que os executivos precisam aprender que "enriquecer às custas do dinheiro dos contribuintes é imperdoável".


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