Obama abre as portas da Casa Branca em exercício político

WASHINGTON - Com seus dreadlocks curtos e terno novo, Shea Pierre, 16, um aspirante a pianista da região de Nova Orleans, parecia nervoso ao entrar na Casa Branca na semana passada. Lá dentro, o Salão Leste havia sido transformado em uma sala de concertos com uma poltrona para Pierre bem atrás do presidente dos Estados Unidos.

The New York Times |

Durante os próximos 60 minutos, Pierre e outros 150 amantes da música (executivos do setor, estudantes e educadores juntamente com membros do gabinete e senadores) ouviram clássicos em um tributo ao cantor Stevie Wonder, com o próprio cantando "Signed, Sealed, Delivered", a música tema da campanha de Obama.

O show televisionado fazia parte de um esforço do presidente Obama e de sua mulher, Michelle, em abrir as portas da mansão da Avenida Pensilvânia 1600. Estudantes, professores, chefs, líderes comunitários, organizadores trabalhistas, prefeitos, governadores, celebridades esportivas, ícones da música - todos foram convidados pelo casal Obama desde que se mudaram para a casa há seis semanas.

A quantidade de entretenimento tem dado à nova Casa Branca um clima muito mais vivo do que durante o período sombrio da gestão Bush, quando mais pessoas protestavam do lado de fora do que celebravam do lado de dentro. Mas a política de portas abertas de Obama não existe apenas para a diversão e as frivolidades, ela é um exercício de criação de uma imagem presidencial.

Todos os presidentes convidam oficiais eleitos, bem como pessoas comuns, à Casa Branca. Mas o casal Obama está usando sua escolha de convidados para ressaltar a mudança que representam.

A secretária social da Casa Branca, Desiree Rogers, disse que a questão principal sempre é: "Como vamos Obam-izar este evento?"

Isso tem significado modificar alguns eventos tradicionais. A comemoração do dia de São Patrício intencionalmente irá incluir pessoas que não tem apenas ascendência irlandesa, disse Valerie Jarrett, conselheira de Obama.

Para aqueles que os recebem, o convite para a Casa Branca de Obama pode ser um choque. Assim foi para Kyle Wedberg, presidente ínterim do Centro de Artes Criativas de Nova Orleans, que ficou surpreso quando recebeu o convite do escritório de secretaria social para que participasse do tributo a Stevie Wonder. Ele perguntou se poderia levar um aluno, e foi assim que Pierre acabou participando.

Wedberg usou seu tempo para pressionar o conselheiro de Obama, David Axelrod, sobre "a necessidade de se levar alguns artistas promissores à Casa Branca".

Em um toque do que Rogers poderia chamar de "Obam-ização", Pierre se sentou ao lado de outro presidente durante o show, o responsável pela Faculdade de Música de Berklee, que ele sonha em frequentar.

Por SHERYL GAY STOLBERG

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