Obama abandona discurso de união para atacar críticos

WASHINGTON - O presidente Barack Obama fez questão de sempre mostrar que tentou envolver o outro lado desde que tomou posse, convidando três republicanos a seu gabinete e debatendo com líderes da oposição.

The New York Times |

Mas na segunda-feira, ele soou como um candidato em campanha, falando contra o "status quo" e acusando seus críticos de serem apóstolos de uma filosofia morta.

Com três semanas de presidência, Obama reconheceu que seus esforços em mudar o clima político em Washington tiveram pouco sucesso. Ele deixou claro que não desistiu de atingir um consenso bipartidário a respeito de seu pacote de recuperação financeira de US$ 800 bilhões , argumentando que a urgência da crise econômica pelo menos por enquanto supera a necessidade de união.

"Eu fico feliz em receber ideias de todos os âmbitos políticos, de democratas e republicanos", ele disse na noite de segunda-feira. "O que eu não farei é voltar a adotar as teorias falhas dos últimos oito anos que nos colocaram nesta situação, porque aquelas teorias foram testadas e não deram certo".

O tom adotado na coletiva de imprensa e em uma espécie de comício em Indiana no começo do dia demonstraram uma mudança da Casa Branca no debate sobre o pacote de gastos e isenções fiscais.

A postura conciliadora das últimas três semanas foi abandonada. Autoritário e preocupado, sombrio ao invés de inspirador, Obama mostrou a economia da nação em uma situação difícil e fez críticas aos argumentos republicanos de que seu plano simplesmente criaria mais empregos governamentais e autorizaria gastos desnecessários.

"Para mim é um pouco difícil aceitar críticas das pessoas a respeito deste pacote de recuperação depois que elas presidiram sobre a duplicação da dívida nacional", ele disse em uma coletiva de imprensa. "Eu não tenho certeza se eles têm muita credibilidade quando o assunto é responsabilidade fiscal".

Obama pareceu sugerir que o momento de bipartidarismo pode estar distante. Ele disse reconhecer que alguns republicanos têm dúvidas de boa fé a respeito deste programa, mas também caracterizou sua oposição como uma forma de "testar" o novo presidente.

Ele prometeu continuar tentando formar alianças com o outro partido na esperança de que "isso valerá a pena a longo prazo", e acrescentou: "Conforme eu continue a fazer aberturas, com o tempo, espero que isso seja recíproco".

- PETER BAKER

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