O uso de antiobióticos na criação de salmão do Chile supera seu maior concorrente

ASSUNÇÃO ¿ O Chile usou quase 350 vezes mais antibióticos em sua criação de salmão, em 2008, do que a Noruega, seu maior concorrente e maior produtor de salmão do mundo, de acordo com dados oficiais de ambos os países.

The New York Times |

O Ministério da Economia do Chile revelou, neste mês, que o país usou cerca de 300 mil quilos de antibióticos, em 2008, e mais de 385 mil, em 2007. Com na informação publicada pelo Instituto de Saúde Pública norueguês, esse número equivale a 346 vezes a quantidade de antibióticos usados pela Noruega, em 2008 (941 kg) e quase 600 vezes da quantidade usava pelo país em 2007.

O ministro da Economia do Chile, Hugo Lavados, explicou o uso de antibióticos do Chile na produção de salmão em resposta a um pedido de informação pelo grupo ambiental Oceana, sob a nova lei de acesso à informação do país. Foi a primeira vez que o governo liberou tais dados publicamente, disseram grupos ambientais.

Os números do ministério confirmam que a indústria de salmão chilena abusou do uso de antibióticos, disse Alex Munoz, vice-presidente da Oceana na América do Sul. Eles também mostram que o governo chileno estabeleceu mais prioridade na garantia de lucratividade de um setor de negócios do que na proteção aos consumidores e ao ecossistema do país.

O Chile, segundo maior exportador de salmão do mundo, tem se esforçado desde 2007 para conter a expansão de um vírus que está matando milhões de seus peixes. A indústria disse que precisa dos antibióticos para combater doenças transmitidas por peixes, como a Rickettsia, bactéria parasita carregada por outro parasita marinho, que causa lesões que tendem a infeccionar.

Ambientalistas acusaram as condições não higiênicas por elevarem a quantidade de doenças.

Nos últimos anos, o Chile foi o maior fornecedor de salmão para os EUA. Algumas empresas, incluindo a Safeway e, mais recentemente, o Wal-Mart, reduziram as compras de salmão chileno por causa das preocupações com as doenças.

Neste domingo, não foi possível encontrar oficiais do SalmonChile, grupo industrial, para comentarem a situação. Em uma entrevista a CNN do Chile, na sexta-feira, Cesar Barros, presidente da SalmonChile, defendeu o uso de antibióticos como tão necessário quando prevenir doenças bacterianas. Ele disse que, em anos a anteriores, a Noruega usou em sua produção de salmão duas vezes a quantidade de antibióticos que o Chile está usando, antes do desenvolvimento de vacinas para lidar com essas doenças.

Você tem que usar antibióticos para que o peixe não morra, disse Barros na entrevista. A informação do Ministério da Economia mostrou que um terço dos antibióticos usados pelo Chile corresponde aos antibióticos da família quinolona, que não é aprovada para uso pela FDA (órgão regulador de alimentos e medicamentos) dos EUA. No ano passado, a FDA intimou três empresas de salmão operando no Chile, incluindo uma companhia norueguesa, Marine Harvest, por usar antibióticos e outras substâncias não aprovadas.

Por ALEXEI BARRIONUEVO


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