O resgate da Europa

Europa pode não ser capaz de resolver seus problemas sem fazer com que os banqueiros paguem a sua parte

The New York Times |

Os líderes europeus analisaram a profundidade do problema e resolveram agir. O pacote de resgate de quase US$1 trilhão negociado no fim de semana deve lidar com os problemas da Grécia e impedir que a crise se espalhe para outras economias mais fracas - Portugal, Espanha, Irlanda e Itália vivem um momento vulnerável.

Os mercados europeus e americano comemoraram na segunda-feira. O index CAC-40 em Paris subiu quase 10%. O Dow Jones industrial subiu em média 3.9%. Certamente foi a coisa certa a se fazer. Juntamente com a promessa do Banco Central Europeu de comprar ações de países europeus em dificuldades, a medida interrompeu o tumulto financeiro - pelo menos por enquanto.

Há boas razões para questionarmos se essas medidas serão suficientes. A maior fraqueza dessa estratégia é que ela assume que países em dificuldades, a começar com a Grécia, podem recuperar sua capacidade de pagar sua dívida diminuindo seu déficit orçamentário.

Estas economias estão em dificuldades; algumas ainda estão no meio de uma recessão. O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia da Grécia irá encolher 2% este ano e 1% em 2011. Cortes orçamentários irão apenas piorar a situação - fazendo com que seja ainda mais difícil para a Grécia, e outros países que solicitaram resgate, honrar suas dívidas.

A Grécia, que recebeu seu próprio resgate de US$140 bilhões na semana passada, definitivamente gastou demais e precisa reduzir seu déficit orçamentário que chegou a 13,6% do seu produto interno bruto. O plano de resgate negociado com a União Europeia e o FMI pede que a Grécia reduza seu déficit para menos de 3% do PIB até 2014 - um ajuste que representa um décimo da sua economia. Ao mesmo tempo, o país deve cumprir os pagamentos de suas dívidas. É difícil imaginar como isso seria fiscalmente possível.

A economia da Espanha também deve encolher este ano. A de Portugal não irá crescer. Caso decidam mergulhar no novo fundo de resgate, estes países provavelmente também receberão a mesma receita para auto-derrota.

Enquanto isso, os bancos que causaram grande parte deste problema estão recebendo todo o seu dinheiro de volta. Uma abordagem mais equilibrada exigiria que os bancos pagassem pelo menos parte da conta - arcando com as dívidas de alguns governos europeus ou prorrogando seu vencimento, a fim de permitir aos países europeus tempo para uma recuperação.

Esta desequilibrado distribuição dos gastos se baseia em uma narrativa distorcida: governos das nações menos responsáveis da Europa gastaram mais do que podiam e agora não conseguem arcar com suas dívidas. Com exceção da Grécia, isso não é o que aconteceu.

Em 2007, antes da crise financeira, a Espanha teve um surplus orçamentário equivalente a 2% do PIB. A Irlanda teve um orçamento equilibrado. O déficit de 2,6% de Portugal estava dentro do limite aceitável na zona do euro. Hoje seus orçamentos estão no vermelho porque a crise mundial acabou com suas atividades econômicas, aumentando o desemprego e exigindo uma resposta governamental em grande escala.

Nós entendemos por que governos europeus não exigem que os bancos compartilhem o fardo. O reescalonamento da dívida da Grécia, ou daquela de qualquer outro governo, poderia enfraquecer as finanças dos bancos europeus e tornar os mercados financeiros mais instáveis.

Por isso a gestão Obama foi suave com os bancos americanos. Mesmo assim, a Europa pode não ser capaz de resolver seus problemas sem fazer com que os banqueiros paguem a sua parte.

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