O que será feito com a crise?

¿Na minha visão, isso deve ser de US$ 500 a US$ 700 bilhões¿, afirmou o senador Charles Schumer, deputado de Nova York, nesta segunda-feira na ABC ¿This Week¿. ¿Isso¿ quer dizer o pacote de resgate econômico que o Congresso pretende oferecer ao novo presidente, Barack Obama, em janeiro.

The New York Times |

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A verdade é que Schumer não possui uma visão fundamentada ou mesmo bem informada sobre o assunto, como o quão grande o pacote tem de ser.

Eu ficaria impressionado se ele soubesse dar uma explicação coerente da razão pela qual o valor deve ser de US$ 500 a US$ 700 bilhões, ao invés de US$ 300 a US$ 900 bilhões. Na TV, ele simplesmente se concedeu a autoridade da maioria dos economistas, 5% do PIB, que deveria ser de US$ 700 bilhões.

Também não acho que Schumer poderia explicar porque a demanda secundária do pacote de resgate dirigido ao emprego, à infra-estrutura e ao consumo funcionará na situação da crise econômica cuja origem parece ser o colapso das hipotecas e à diminuição de débitos em grande escala por instituições financeiras.

Agora eu me precipito em acrescentar ¿ espere um segundo, senador Schumer, guarde o telefone, não precisa me telefonar em casa nesta segunda-feira de manhã! ¿ que não quero cutucar de forma alguma Chuck Schumer, que certamente está entre os mais letrados economicamente dentre os membros do Congresso. Não é que seus colegas tenham melhor entendimento sobre o que está acontecendo ou sobre o que deveria ser feito. E não é como se o resto de nós soubesse.

Em sua entrevista, o senador recorreu à autoridade de economistas. Eles ainda têm uma influência considerável em nossa vida pública ¿ embora não pareça que um grande número deles tenha dado antecipadamente um aviso sobre a situação ou explicado de forma visível a atual situação da economia.

Especulações

De qualquer forma, o consultor econômico de Obama Austan Goolsbee também disse neste domingo, 23, na televisão: Eu não sei qual será o valor, mas será um número alto. Tem que ser. O ponto é conseguir colocar as pessoas de volta nos trilhos e transformar a situação assustadora em oferecimentos.

Um membro importante da equipe de economia de Obama espera que um número alto nos gastos federais aumente as ofertas. Isso retoma a segurança.

Por outro lado, a análise de muitos economistas conservadores não é muito mais persuasiva. Ao menos os liberais, sendo mais ou menos keyneasianos, tendem a concordar com o que deve ser feito. Os conservadores mais virtuosos parecem estar em todo lugar. Mas, basicamente, parece-me que estamos todos andando às cegas. Os mercados estão oscilando em queda e nossos líderes especialistas não têm muita idéia do que fazer.

Sendo assim, alguém deve receber a indicação esperada para posições elevadas na economia da administração de Obama, como Lawrence Summers, Timothy Geithner, Jason Furman, Peter Orszag e o próprio Goolsbee. Eles são pessoas equilibradas e competentes que sabem que estamos enfrentando uma verdadeira crise ¿ e quem pode ser mais desejado do que muitos de seus colegas para ajustar seus pensamentos agora e muitas outras vezes.

Expectativas

De fato, esperamos que eles não procurem tanto encontrar uma solução econômica de algo que possui tantos produtos distintos ¿ porque suspeita-se que muitas respostas convencionais dessa declaração não são aplicáveis na situação atual. Apesar de tudo, não foi uma confiança excessiva no complexo de modelos econômicos e instrumentos financeiros sofisticados que nos ajudaram a entrar nessa confusão?

Então espero que o melhor e mais brilhante que se juntar ao novo presidente ao menos receba a possibilidade de que muito do que eles sabem e pensam está errado. Acredito que eles irão se lembrar de que políticas econômicas de sucesso no passado uniu elementos de fontes inesperadas e de que eles podem encontrar conhecimento em leituras de economistas políticos como Friedrich Hayek, Joseph Schumpeter ou mesmo Keynes, como aprofundar-se em estudos acadêmicos recentes como referências críticas sobre a economia diária.

Passado

Durante seus dois anos de campanha, Barack Obama citou Abraham Lincoln muitas vezes. Bem, talvez Obama possa entrar na presidências de forma mais parecida (ainda que não tanto) com o momento Lincolniano do que esperamos.

E foi Lincoln quem escreveu, em seu segundo discurso anual no Congresso, em dezembro de 1862. Os princípios do passado próximo são inadequados para o presente conturbado. A ocasião tem medidas de alta dificuldade e devemos estar de acordo com ela. Como nosso caso é novo, devemos pensar novo e agir de forma inovadora. Devemos nos recuperar e então devemos salvar nosso país.

Já trabalhei no governo. É muito difícil pensar quando se está lá e ficar sozinho para pensar de uma nova forma. Mas Obama e sua equipe terão que pensar de novo e aqueles de fora que desejam ajudar terão de pensar novamente também, se queremos ter a chance de nos recuperar dessa ocasião assustadora.

Por WILLIAM KRISTOL

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