O que fazer quando um recém-nascido não escuta?

Exames e acompanhamento são fundamentais para detectar deficiência auditiva

The New York Times |

O menino de oito anos já usava aparelho auditivo quando eu o conheci nos anos 1990. Ele nasceu em um período no qual os recém-nascidos não eram rotineiramente examinados em busca de problemas auditivos, assim o diagnóstico só aconteceu quando ele demorou a falar.

Uma extensa lista de sub-especialistas o havia avaliado depois que o primeiro exame mostrou grave perda auditiva em ambos os ouvidos. Ninguém encontrou nada errado. Ele era uma criança alegre e saudável que não ouvia muito bem.

Atualmente, 97% dos bebês recém-nascidos nos Estados Unidos passam por um exame de audição na maternidade. Isso significa que exames de acompanhamento e tratamentos podem começar muito mais cedo. Mas o termo central aqui é "acompanhamento".

Cerca de 46% das crianças que não foram aprovadas em seus exames em 2007 não fizeram novos exames ou tratamento, disse Marcus Gaffney, cientista de saúde do Programa de Detecção e Intervenção Precoce de Problemas Auditivos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.

Antes do exame de recém-nascidos mudar este cenário no final dos anos 1990, a idade média de diagnóstico da perda auditiva era de 2 anos e meio. E o exame era feito apenas porque a criança apresentava lentidão para desenvolver a fala. Em crianças com pouca perda auditiva, ou com perda em apenas um ouvido, muitas vezes o diagnóstico demorava ainda mais.

"A deficiência auditiva muitas vezes é vista como uma deficiência silenciosa", disse Dr. Judith E. C. Lieu, pediatra com especialidade em ouvido, nariz e garganta da Universidade de Washington em St. Louis. Ela explicou que a doença pode ser difícil de perceber mesmo em crianças mais velhas. "Pode parecer que elas não estão prestando atenção; elas falam enquanto o professor fala".

Mas embora pareça invisível ou silenciosa, a deficiência auditiva é uma das mais frequentes deficiências congênitas, atingindo de 2 a 4 de cada mil bebês.

Pode ser genético, ou pode resultar de uma infecção pré-natal: das infecções que podem atingir o desenvolvimento do feto (taxoplasmose, rubéola, herpes e outras), várias podem prejudicar a audição.

Mas, como se testa a audição de recém-nativos? Existem duas tecnologias diferentes.

Emissões otacústicas, um exame no qual um pequeno microfone é inserido na orelha do recém-nascido para medir o eco da cóclea quando estimulada por som; e um exame de resposta do tronco encefálico a estímulos auditivos, no qual pequenos eletrodos são colocados na cabeça do bebê para medir a resposta do cérebro ao som.

A ajuda pode vir na forma de terapia fonoaudiológica; aconselhamento e treinamento para os pais; e ampliação, incluindo aparelhos auditivos, se necessário.

Quando o menino de oito anos se tornou meu paciente ele já era acompanhado por uma fonoaudióloga e falava muito bem.

Por Perri Klass

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