O museu católico que nem anjos puderam salvar

Após cinco anos, Museu Nacional de Arte e História Católica em NY fecha as portas

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De certa maneira, a abertura do Museu Nacional de Arte e História Católica no bairro do Harlem foi uma espécie de milagre.

Ele foi fundado por uma mãe solteira sem diploma universitário, pouca experiência na administração de artes e nenhuma ligação com a Diocese de Nova York. Mas ela, Christina Cox, tinha uma profunda paixão pelo projeto, além de amigos poderosos.

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Prédio que abrigava o museu em Nova York está à venda

Ao longo dos anos, seus amigos ajudaram o museu a arrecadar mais de US$ 9 milhões em investimentos - quase metade do patrocínio total do Estado de Nova York, que previa que a instituição iria trazer turistas, empregos e vitalidade ao bairro.

Mas depois de cinco anos em operação, poucos visitantes e uma imensa dívida, o museu fechou silenciosamente as portas no ano passado.

O prédio, na Rua 115 Leste, está à venda por cerca de US$ 5 milhões, e Cox disse que espera usar o valor para se mudar para Washington. "O museu não acabou", ela disse, "portanto o dinheiro não será desperdiçado".

Nem todos no Harlem concordam. Apesar do dinheiro e das promessas, "acabamos sem nada", disse Rafael Merino, diretor de marketing da organização sem fins lucrativos East Harlem Business Capital Corp.

O museu católico nunca foi uma atração proeminente. Mas sua curta vida em Nova York demonstra o que pode acontecer de errado com a distribuição de fundos públicos para as artes.

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Christina Cox, diretora do museu, em foto de 2003
Desde o início, o museu era uma ideia inverosímil. Sua coleção era pequena, a formação de Cox insuficiente e o local escolhido, uma antiga escola paroquial, ficava longe do universo cultural da cidade.

Nova York ofereceu US$ 173 mil em subsídios de operação ao longo dos anos. O governo federal deu US$ 260 mil em concessões.

O grande impulso, no entanto, veio do governador George E. Pataki, que conseguiu US$ 2 milhões em financiamento em 2002 e outros US$ 2 milhões em 2003. O museu foi inaugurado em 1995, ocupando espaços temporários em vários edifícios de Manhattan.

Em 1998 ele se mudou para a parte oriental do Harlem, onde começou a renovação da antiga Escola Nossa Senhora do Monte Carmelo, uma instituição privada depredada que os subsídios do governo e doações de sindicatos ajudaram a transformar em um espaço de exposições de primeira linha.

Após a inauguração do edifício em 2003, os visitantes podiam encontrar uma eclética coleção reunida em sua missão de ilustrar a influência católica romana nas artes e na história.

Anjos de bronze de Salvador Dali. Um retrato de John F. Kennedy. Uma coleção de pinturas da América Latina dos séculos 17 e 18. Uma galeria de trabalhos que retratavam freiras, incluindo uma imagem de Sally Field como a Freira Voadora.

O edifício está avaliado em US$ 4,9 milhões, reduzido de US$ 7,9 milhões. Um possível comprador seria uma escola, disse Cox.

Por Kevin Flynn e Alison Cowan

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