O caminho de um soldado até uma investigação por vazamento

Bradley Manning, suspeito de vazar documentos sobre a guerra do Afeganistão, tem poucos amigos e difícil relação com os pais

The New York Times |

Ele passou parte da sua infância com seu pai, em Oklahoma, onde colegas zombavam dele por ser "geek". Passou outra parte com a mãe, no País de Gales, onde colegas zombavam dele por ser gay.

Então ele entrou para o Exército, onde, os amigos disseram, sua vida social era definida pela necessidade de esconder sua sexualidade e pelo desperdício de sua inteligência buscando café para os oficiais.

Mas foi cerca de dois anos atrás, quando o soldado Bradley Manning foi a Cambridge, Massachussetts, visitar um homem por quem tinha se apaixonado, que ele encontrou um lugar onde se encaixava, como parte de um círculo social que incluía hackers politicamente motivados e seu namorado, uma auto-intitulada drag queen.

Então, quando sua carreira militar parecia não seguir um bom caminho, Manning, 22, voltou-se cada vez mais para aqueles amigos em busca de apoio. E agora alguns deles dizem questionar se o seu desespero por aceitação – ou delírios de grandeza – podem tê-lo levado a divulgar documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão.

A necessidade de sobrevivência é algo que Manning começou a aprender quando criança em Crescent, Oklahoma. Seu pai, Brian Manning, também foi soldado e passava muito tempo longe de casa, lembram antigos vizinhos. Sua mãe, Susan Manning, esforçava-se para lidar com o choque cultural de ter se mudado para os Estados Unidos de seu País de Gales nativo, disseram os vizinhos.

Na escola, Bradley Manning era claramente diferente. Ele preferia invadir o código de jogos de computador do que jogá-los. Além disso, segundo os antigo vizinhos, ele parecia opinativo.

Depois que seus pais se divorciaram, Manning se mudou com sua mãe para Haverfordwest, País de Gales, e começou um novo capítulo de isolamento.

Ex-alunos de sua escola dizem lembrar que Manning era zombado por muitos motivos. E, em breve, os alunos começaram a suspeitar que ele era gay. Após acabar seus estudos, sua mãe o mandou de volta para Oklahoma para morar com seu pai e sua irmã mais velha.

Ele foi contratado e demitido de uma pequena empresa de software, onde o seu empregador recorda dele como uma pessoa direta e inteligente, com um dom quase nato para a programação, bem como a personalidade de um touro numa loja de porcelanas.

Em seguida, seu pai descobriu que ele era gay e o expulsou de casa, disseram seus amigos. Ele se alistou no exército em 2007, para tentar dar algum sentido a sua vida e para ajudar a pagar sua faculdade.

Antes de ser enviado ao Iraque, Manning conheceu Tyler Watkins, que se descreveu em seu blog como um músico clássico, cantor e drag queen. Um amigo disse que os dois tinham pouco em comum, mas Manning se apaixonou.

Watkins era estudante da universidade de Brandeis. Em viagens para visitá-lo em Cambridge, Manning conheceu a ampla rede de amigos de Watkins, incluindo alguns que faziam parte da fechada comunidade de hackers da cidade.

Segundo a revista "Wired", Manning disse a Watkins em janeiro que tinha em mãos um vídeo secreto que mostrava um ataque de helicópteros militares que matou dois fotógrafos da Reuters e um civil iraquiano.

Em um bate papo online com Adrian Lamo, o hacker que o entregou, Manning disse que deu o video ao WikiLeaks em fevereiro. Então, depois da sua divulgação no site do WikiLeaks, Manning perseguiu Watkins para saber se houve qualquer reação.

"Essa era uma de suas maiores preocupações", disse Watkins a Wired. "Havia realmente feito alguma diferença?"

Por Ginger Thompson

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