NYT Magazine: perguntas para Jonah Lehrer - jogos mentais

Por DEBORAH SOLOMON O escritor fala sobre porque adoramos ler sobre nossa incapacidade de tomar decisões, como Obama toma decisões e a blogosfera em nossas mentes.

The New York Times |

P: Seu próximo livro, How We Decide, é o registro mais recente em uma área em plena expansão - que pode ser denominada como a ciência de tomar decisões. Como você explica a fascinação do ser humano em relação às decisões?

R: Pela primeira vez, a neurociência pode ser aplicada à vida cotidiana. A pesquisa em torno do neurotransmissor denominado dopamina, por exemplo, pode nos ensinar a razão pela qual apostamos em máquinas caça-níqueis e exageramos no uso de cartões de crédito.

P: Você é uma pessoa decidida?

R: Não, sou patologicamente indeciso. Escrevi o livro porque passava 10 minutos em frente à gôndola de cereais matinais do supermercado me decidindo entre a caixa de Honey Nut Cheerios e a de Apple Cinnamon Cheerios.

P: Talvez a indecisão seja o preço pago por ser inteligente e compreender que ações têm conseqüências.

R: Isso seria um auto-elogi grande demais para mim. A indecisão significa que você não está prestando atenção o suficiente em suas emoções, que sabem o que você realmente quer e poderiam estar sussurrando em seu ouvido: Escolha o Honey Nut Cheerio.

P: Como essa idéia se difere da decisão visceral descrita por Malcolm Gladwell em Blink?

R: Decisões tomadas num piscar de olhos nem sempre são úteis. O cérebro está cheio de ferramentas diferentes e você não vai querer usar um martelo se o problema requer mais do que uma martelada cega.

P: No momento atual, no qual estamos vivendo como uma sociedade em modo de descongelamento, será que não estaríamos passando por uma indigestão de decisões tomadas impulsivamente, como, por exemplo, de gastar?

R: Acho que as lojas de varejo e os corretores de imóveis se tornaram um pouco adeptos demais da prática de fazer cócegas em nossos neurônios da dopamina, e os cartões de crédito também não cooperaram muito.

P: É Possível incentivar a poupança?

R: Economistas estão montando programas que ajudam a corrigir esta tendência irracional. Por exemplo, o trabalhador americano pode optar por se registrar ou não no plano 401(k) - que permite que ele faça uma poupança para a aposentadoria, reinvestindo o valor guardado e adiando a dedução de impostos de renda. Com estes novos programas ele seria registrado neste plano automaticamente, a menos que optasse por não participar do mesmo.

P: E Obama é favorável a este programa.

R: Sim.

P: Como você descreveria o cérebro de Obama?

R: Acho que o verdadeiro talento de Obama é a meta-cognição, que é a habilidade de pensar sobre o pensar. Imagino que se fosse feita uma tomografia de seu cérebro, veríamos diversas atividades em seu córtex pré-frontal - o que não quer dizer que ele não experiencie emoções primais provenientes da amígdala cerebral. 

Devido a sua racionalidade, ele parece atraído por pessoas com amígdalas hiperativas, como Rahm Emanuel. Acho que ele tem consciência de que o cérebro tem uma tendência a suprimir idéias dissonantes e cair na armadilha da certeza, e ele quer estar rodeado de pessoas com opiniões fortes criando uma atmosfera que desencoraja ativamente o comportamento de manada.

P: Você tem um blog chamado The Frontal Cortex. Você acha que cães e gatos têm pensamento racional?

R: A racionalidade geralmente está localizada no córtex pré-frontal, e embora esta região seja realmente grande nos humanos, ela é uma parte bem pequena do cérebro canino. É por isso que os cães não jogam xadrez ¿ eles correm atrás de frisbees.

P: Minha cadela me impressiona por ter atitudes basicamente racionais, a não ser quando ela late para os sacos de lixo.

R: Seu pobre cãozinho é como uma criança de 4 anos pois, nesta idade o córtex pré-frontal ainda não está completamente formado ¿ esta é a última região do cérebro a se desenvolver.

P: Depois de se formar na Universidade de Columbia, você foi agraciado com a bolsa de estudos Rhodes Scholarship. Isso traz algum aspecto negativo?

R: Quanto contei para minha mãe que eu tinha conseguido a bolsa, a primeira coisa que ela disse foi: Não se esqueça, você ainda não fez nada. Acho que tem um perigo de se esquecer disso.

P: Qual a sua idade?

R: Tenho 27 anos.

P: Que legal! Você tem uma vida inteira pela frente. Espero que você use este tempo para tomar boas decisões.

R: Eu também. Ainda bem que meu córtex pré-frontal já está solidificado.

(Entrevista conduzida, condensada e editada por Deborah Solomon).

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