NY renegocia acordo que incentivou construção diante do marco zero

NOVA YORK - Em 2005, as autoridades locais queriam manter o banco de investimentos Goldman Sachs em Manhattan e optaram por oferecer um incentivo difícil de negar um espaço diante do marco zero para a construção de um novo quartel general da companhia.

The New York Times |

NOVA YORK - Em 2005, as autoridades locais queriam manter o banco de investimentos Goldman Sachs em Manhattan e optaram por oferecer um incentivo difícil de negar um espaço diante do marco zero para a construção de um novo quartel general da companhia.

Mas enterrado em centenas de páginas de documentos daquele acordo está uma cláusula que beneficia o banco mais lucrativo do mundo: cerca de US$320 milhões em penalidades caso Estado e município não consigam completar projetos de renovação e trânsito na região até 2010, bem como um plano de segurança, relacionado à reconstrução no local do World Trade Center.

Agora, quando todos os projetos estão atrasados, as autoridades iniciam negociações com o Goldman Sachs na esperança de identificar suas principais preocupações e conseguir um novo acordo que evitaria a multa.

"De acordo com nossos debates com o Goldman Sachs", disse Avi Schick, presidente da Empire State Development Corp., "ficou claro que o banco está mais preocupado em garantir um ambiente de trabalho apropriado a seus funcionários do que em coletar multas do governo".

Andrea Raphael, porta-voz da Goldman Sachs, se recusou a comentar o assunto.

O banco está construindo um prédio de 43 andares ao custo de US$2.4 bilhões na Rua Vesey e planeja ocupá-lo no próximo ano. Sob os termos do acordo de 2005, as autoridades concordaram em conceder ao Goldman Sachs US$1.65 bilhões em Liberty Bonds isentos de impostos, que irão gerar uma economia de US$9 milhões ao ano no pagamento de dividendos e US$115 milhões em isenção fiscal.

Mas durante as negociações com as autoridades em 2005, a empresa queria garantias de que o bairro não permaneceria um constante canteiro de obras e insistiu que um novo sistema de transporte, reformas na Rua West e um ponto de embarque e desembarque de balsas no final da Rua Vesey sejam completados até o final de 2009. O banco também insistiu que haja progresso na construção do museu e centro artístico em memória do 11/9.

Segundo as penalidades do acordo, relatados pela primeira vez pelo jornal The Daily News nesta segunda-feira, Goldman poderia receber de volta o valor de US$161 milhões que pagou no ano passado pela ocupação do terreno, além de outros US$160 milhões em isenções fiscais em coisas como materiais de construção.

O prefeito Michael R. Bloomberg disse na segunda-feira que a cidade quase completou um do itens do acordo pelos quais se responsabilizou: um plano de segurança para a área do World Trade Center e Manhattan. Ele culpou outros projetos e a administração de Spitzer pelos atrasos.

"Nós nos comprometemos com a segurança até o fim de 2009", disse Bloomberg. "Estamos dentro do prazo, e não vejo razões para que não seja concluído a tempo".

Algumas autoridades não acreditam que a Goldman Sachs arriscaria a publicidade negativa ao exigir as multas. Ainda assim, notícias sobre as penalidades reavivaram reclamações sobre o acordo.

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