Número de viúvas iraquianas aumenta, enquanto ajuda do governo diminui

Conflitos fizeram com que número de mulheres superasse o de homens no país e governo reduz ajuda às mães 'chefes de família'

The New York Times |

Noria Khalaf riu e, em seguida, envergonhada, cobriu o sorriso com uma dobra de seu manto preto. Sim, ela disse, ela gostaria de se casar novamente. Já se passavam quatro anos desde que seu marido tinha morrido e seus filhos precisavam de um pai.

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Noria Khalaf, que perdeu o marido em 2007, conforta seu filho em um acampamento para viúvas nos arredores de Bagdá

Encontrar um bom homem em Bagdá nos dias de hoje é um desafio. Não só por que quase todos os trailers no acampamento empoeirado administrado pelo governo na periferia da capital são ocupados por viúvas de guerra como ela - sem nenhum homem à vista - mas também por que o número de mulheres em todo o Iraque agora supera o de homens.

Algumas viúvas pedem aos seus irmãos que tragam amigos ao acampamento, um dos dois acampamentos de trailers para viúvas estabelecidos em Bagdá. Mas isso muitas vezes não funciona.

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Mulheres em acampamento para viúvas comemoram o casamento de uma das companheiras
O problema é que as viúvas não são noivas atraentes, dizem as próprias mulheres e organizações não governamentais. "Talvez uma jovem com apenas um ou dois filhos possa se casar novamente", disse Khalaf com um suspiro. Ela tem seis filhos.

Viúvas não são um problema social novo no Iraque, é claro. A guerra com o Irã na década de 1980 deixou dezenas de milhares de mulheres viúvas. Cada nova calamidade que se seguiu criou mais mulheres sozinhas: a guerra de 1991 com os Estados Unidos, o fracassado levante xiita que veio em seguida, as repressões contra os curdos.

E o número de viúvas no Iraque, ou como os programas de ajuda americanos preferem chamá-las, "mulheres chefes de família", aumentou substancialmente após a invasão em 2003 e nos anos de violência que se seguiram.

O Ministério do Planejamento local estima que cerca de 9% das mulheres do país, ou cerca de 900 mil, são viúvas. Uma outra agência do governo, o Ministério da Mulher, emitiu uma declaração em junho de estima um milhão.

Confrontado com tantas viúvas, o governo iraquiano passou a fornecer a essas mulheres apenas uma assistência mínima, equivalente a cerca de US$ 80 por mês, para as viúvas do conflito recente.

"Nós esperávamos que teríamos muita ajuda de todos os lados, dos americanos, do governo iraquiano", disse Khalaf, que perdeu seu marido em 2007. "Mas o fato é que ninguém realmente se preocupa conosco."

Nesse meio tempo, Raja Hashim, 32 anos, disse que iria se concentrar em seus filhos, todos homens. "Eu não preciso de um homem, porque eu tenho três", disse.

Por Andrew E. Kramer

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