Número de presos políticos em Cuba é desconhecido

Organizações divergem sobre quantidade exata de pessoas presas na ilha por causa de suas convicções políticas

The New York Times |

O anúncio da libertação de 52 presos políticos cubanos fez pouco para acalmar os críticos mais ferozes da ilha, que perguntam ao presidente Raúl Castro: "E o resto?". Na verdade, ainda é desconhecido o número exato de pessoas que permanecem presas na ilha por causa de suas convicções políticas.

De um lado, a Anistia Internacional afirma que apenas um prisioneiro de consciência permanecerá em Cuba caso o governo siga adiante com o plano de Castro para libertar os 52 prisioneiros nos próximos meses. Este preso é o advogado Rolando Jimenez Posada, e o grupo de direitos humanos - que cunhou o termo prisioneiro de consciência na década de 1960 - pediu que Cuba o liberte também.

Antes do anúncio da última libertação planejada, a Comissão Cubana de Direitos Humanos, um grupo independente que é tolerado na ilha, mas não é reconhecido pelo governo, afirmou que o número de presos políticos atualmente está em torno de 167.

Este é o menor número desde a Revolução de 1959 em que Fidel Castro chegou ao poder. O novo número de prisioneiros, caso os 52 sejam libertados, será 115. Outros grupos, porém, dizem que o número real é muito maior.

O Human Rights Watch não especifica um número exato, mas inclui em seu registros os nomes de pessoas que foram presas nos últimos anos pelo vago crime de "periculosidade".

Alguns ex-presos afirmam que há um elemento político para tantas prisões em Cuba - e que o governo não permite a representação legal adequada para aqueles que quer isolar. Eles dizem que o número real de prisioneiros provavelmente chega aos milhares.

Por outro lado, o governo cubano calcula que o número de presos políticos que detém é igual a zero.

O ex-presidente Fidel Castro reconheceu manter milhares de prisioneiros de consciência décadas atrás, mas nos últimos anos ele afirmou que as prisões cubanas detém apenas criminosos comuns e aqueles que agiram ilegalmente como agentes pagos pelos Estados Unidos.

Um aspecto da libertação planejada que perturba os críticos do governo são relatos de que uma vez que os presos forem libertados, eles serão enviados para fora do país e, portanto, não poderão continuar sua militância e cobrar uma prestação de contas do governo.

Mas o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, que desempenhou um papel fundamental na negociação das libertações, sugeriu que deixar Cuba seria uma opção, não uma exigência, para os ex-prisioneiros.

Por Marc Lacey

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