Número de pessoas entrando ilegalmente nos EUA diminui

Um estudo divulgado na última quinta-feira pelo Pew Hispanic Center indicou que poucas pessoas estão tentando entrar nos Estados Unidos ilegalmente e que o número de ilegais vivendo no país diminuiu.

The New York Times |

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O estudo, baseado nos dado do censo, mostrou que pela primeira vez em quase uma década o número de pessoas entrando ilegalmente no país foi menor que o número de pessoas que chegaram por meios legais.

Especialistas dizem que a perda de postos de trabalho mal remunerados na economia americana, combinada com a intensificação da fiscalização nas fronteiras e nos postos de trabalho ao redor do país, fez com que as pessoas que pensavam em entrar ilegalmente nos EUA pensassem duas vezes antes de começar essa jornada perigosa. O resultado foi uma significativa mudança depois de uma década de crescimento acelerado da imigração ilegal. 

Os bancos centrais do México e do Brasil representam as maiores quedas nas remessas de dinheiro vindas dos EUA em mais de 10 anos.

O estudo do Pew Center concluiu que a imigração ilegal nos Estados Unidos caiu para cerca de 500 mil pessoas anualmente desde 2005. A média entre 2000 e 2004 foi de 800 mil pessoas anualmente. Desde 2000, o número de imigrantes ilegais entrando nos Estados Unidos a cada ano permaneceu estável em cerca de 600 mil a 700 mil.

Durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira, o autor do estudo disse que 58% dos imigrantes ilegais morando nos EUA são do México; mais do que qualquer outro país.


Fronteira do Texas é porta de entreda para muitos imigrantes ilegais / NYT

Os imigrantes vindos do México têm sido combatidos desde a década passada, disse Jeffrey S. Passel do Pew Center, atingindo seu auge em 2000, caindo em 2002 e ressurgindo com força desde 2004.

Entre 2007 e 2008, entretanto, disse Passel, os dados do censo mostram que o crescimento do número de imigrantes ilegais mexicanos estagnou em cerca de 7 milhões de pessoas.

Houve uma queda significativa no número de imigrantes ilegais vindos do resto da América Latina e do Caribe, disse Passel. Essa população cresceu bastante na última década, passando de 1,8 milhões em 2000 para 3 milhões em 2007. Este ano, de acordo com o Pew Center, o número caiu para 2,6 milhões.

Autoridades da patrulha fronteiriça e grupos que defendem um controle mais rígido da imigração atribuem a tendência à crise e aos números recordes de fiscalização de postos de trabalho e de deportações.

Um porta-voz da agência de patrulha, Jason Cilberti, disse que os números recentes de prisões ao longo da fronteira sul do país apresentam uma queda, com as apreensões caindo 78% ao redor de Yuma, Arizona, e mais de 60% ao redor de El Paso, Texas.

Passel disse que o estudo do Pew Center não pretende explicar por que o fluxo de imigrantes ilegais diminuiu. Entretanto, ele especula que a tendência é uma combinação de fatores liderada pela fraca economia e o crescimento das taxas de desemprego na construção e nos serviços industriais, que conta com grande mão-de-obra ilegal.

Renda familiar

Outro estudo do Pew Center também divulgado na quinta-feira sobre a renda familiar descobriu que a média anual da renda em lares de não-cidadãos ¿ mais da metade desses lares são de imigrantes ilegais ¿ caiu 7,3% entre 2006 e 2007, enquanto a média geral foi de 1,3%.

Elaborador do estudo, Rakesh Kochhar disse que a queda na renda dos lares compostos por não-cidadãos foi mais forte nos lares formados por hispânicos, imigrantes do México, recém-chegados, homens sem esposa, sem segundo grau completo e aqueles que trabalham em empresas de construção, de produção ou de serviços.

Se não há empregos, então ir para os EUA é um grande risco, disse Jeffrey Devidow, presidente do Institute of Americas, com sede em San Diego.

Davidow e Passel concordam que uma ação policial mais rígida também contribuiu para tornar os Estados Unidos menos atraente para os imigrantes ilegais.

Uma pesquisa do Pew Center divulgada em setembro e realizada com 2.015 latinos mostrou que metade declarou que a vida havia piorado em 2007. Um em cada 10 disse que foi parado e questionado pela polícia sobre seus status de imigrante; e um em cada 10 declarou algum tipo de problema para encontrar um imóvel.

O relatório do Banco Central sugere que os efeitos dessas tendências estão sendo sentidas além da fronteira americana. Um relatório divulgado na quarta-feira pelo Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, com sede em Washington, projetou uma queda no valor das remessas de dinheiro dos Estados Unidos para a América Latina e Caribe este ano, a primeira vez desde que o Banco começou o registro, em 2000.

No México, onde as remessas são a segunda maior fonte de renda estrangeira depois do petróleo, as autoridades projetam uma queda de 12% este ano.

Augusto de la Torre, economista do Banco Mundial, disse que pequenos aperfeiçoamentos em diversas economias latino-americanas, incluindo Brasil, Chile, Colômbia, Panamá e Peru, devem ter incentivado algumas pessoas da região a permanecerem perto de casa. 

Pela primeira vez em uma década, há economias da América Latina melhores que as economias dos países ricos, disse de la Torre. Então, as pessoas que estavam pensando em ir para os Estados Unidos, devem se mudar para países da própria região."

Por GINGER THOMPSON

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