Número de casos raros de E. coli aumentou no ano passado nos EUA

De acordo com centro de prevenção de Atlanta, bactéria foi responsável por pacientes menos graves que o atual surto da Europa

The New York Times |

Autoridades federais americanas disseram nesta semana que um sistema de vigilância nacional de doenças de origem alimentar detectou no ano passado um aumento no número de doenças causadas por uma espécie rara da bactéria E. coli relacionada com a espécie pouco conhecida e altamente tóxica que tem devastado a Alemanha.

Pela primeira vez, a espécie rara da bactéria E. coli foi identificada como a causa mais comum de doenças nos Estados Unidos do que a sua forma predominante, provavelmente porque mais laboratórios começaram a testar a sua presença, disseram as autoridades do Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta. Na terça-feira, elas divulgaram os resultados de 2010 de seu sistema de rastreamento nacional de doenças de origem alimentar.

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Funcionário de companhia em Motril, na Espanha, que exporta pepinos para outros países (1º/6/2011)
A cepa rara da bactéria E. coli encontrada nos Estados Unidos têm, em geral, causado doenças menos graves, levando a menos internações e mortes do que a espécie predominante, que é conhecida como E. coli O157:H7. Essa espécie tem sido o foco das campanhas para erradicá-la da cadeia alimentar.

Os novos dados provavelmente irão aumentar o debate sobre o governo dever obrigar os frigoríficos a testar sua carne em busca de formas mais raras da bactéria E. coli e tornar ilegal a venda de carne que contenha a bactéria.

O Departamento de Agricultura, que regula a indústria da carne, elaborou novas regras que abrangem outras espécies da bactéria E. coli, muitas vezes chamadas de não-O157, mas as regras estão paradas à espera de revisão por parte do governo Obama. As regras não foram divulgadas, mas muitos na indústria de alimentos esperam que elas exijam testes em busca de patógenos ou proíbam a venda de carne moída com eles.

"Patógenos evoluem”, disse Elisabeth Hagen, chefe de segurança alimentar do Departamento de Agricultura, em uma teleconferência com jornalistas para discutir os novos dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças. "Eu não acho que podemos nos dar ao luxo de ficar parados quando os patógenos estão evoluindo ao nosso redor”.

Ela disse que a agência está trabalhando para resolver as questões técnicas levantadas durante a revisão da sua regulamentação proposta para a bactéria E. coli.

Europa

O surto de E. coli na Alemanha também envolve uma forma não-O157 da bactéria, mas que é altamente virulenta. Mais de 2,4 mil pessoas ficaram doentes, incluindo cerca de 700 com insuficiência renal aguda, e ao menos 24 pessoas morreram.

Os dados divulgados na terça-feira foram obtidos a partir de um sistema de monitoramento chamado FoodNet, que compila dados de laboratórios clínicos e hospitais em 10 Estados americanos. A área representa 15% da população do país e acredita-se ser uma amostra representativa de doenças de origem alimentar nos Estados Unidos.

No ano passado, a rede encontrou 442 pessoas na área da amostra que ficaram doentes por causa da E. coli O157: H7, a espécie mais comum da bactéria. Entre elas, 184 foram hospitalizadas e duas morreram.

A rede de monitorização descobriu 451 pessoas que haviam sido infectadas com espécies não-O157 da E. coli, com 69 hospitalizações e um óbito. Em 2009, a FoodNet detectou apenas 264 casos da E. coli menos comum, mas as autoridades disseram que o aumento no número de casos no ano passado foi provavelmente devido ao aumento nos testes dos patógenos, ao invés de um surto de infecções reais.

Os Centros de Controle de Doenças afirmaram que a incidência de E. coli O157: H7 caiu desde que o programa de monitoramento começou em 1996, graças a melhores práticas da indústria de carnes e um maior entendimento entre os consumidores que comer carne moída crua ou mal cozida é perigoso.

O diretor da agência, Thomas R. Frieden, disse que a maior vigilância para as formas menos comuns da E. coli está ajudando a retratar de maneira mais clara a prevalência dos patógenos, mas que a capacidade das agências de saúde pública locais e estaduais em para continuar ou ampliar tais testes está sendo comprometida por cortes no orçamento.

Salmonela

Enquanto a queda no número de casos de O157: H7 é um sinal de progresso, Frieden disse que os dados mostraram uma história diferente para as salmonelas, a fonte mais comum de intoxicação alimentar dentre aquelas monitoradas pelo programa.

A FoodNet detectou no ano passado cerca de 8.256 casos de intoxicação por salmonela, com 2.290 internações e 29 mortes.

O número de doenças causadas pela salmonela aumentou para mais de 17 casos para cada 100 mil pessoas na área de estudo, cerca da mesma taxa que em meados da década de 1990. Mas era cerca de 10% maior do que entre 2006 e 2008.

As autoridades disseram que apenas uma pequena parte do aumento recente do índice de salmonela é associado com o grande surto do ano passado, ligado a ovos contaminados.

Frieden disse que os reguladores e a indústria de alimentos devem fazer mais para combater a salmonela.

Michael R. Taylor, vice-comissário para alimentos da Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês), disse que a agência irá focar na salmonela, uma vez que começou a implementar uma nova lei de segurança alimentar que entrou em vigor em janeiro

*Por William Neuman

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