Novos visuais

Aos 33 anos, Brian Donnelly está desfrutando de uma carreira artística de sucesso. Trabalhando em um estúdio no Brooklyn, ele vendeu quadros para Pharrell Williams, rapper e produtor; Nigo, designer empreendedor; e Takashi Murakami, estrela internacional da arte, entre outros. Também criou uma variedade de produtos incluindo brinquedos, roupas e até travesseiros ¿ e de fato ele tem sua própria loja, a Original Fake, em Tóquio.

The New York Times |

Ele tem sido amplamente conhecido no mundo da arte da rua há anos; um de seus primeiros pôsteres modificados de cabines telefônicas foi recentemente negociado no eBay por US$22 mil. Uma coisa que Donnelly não havia feito até há pouco tempo, entretanto, era forjar um relacionamento com vendedores ou galerias de arte. Isso não havia acontecido porque ele evitou o tradicional sistema de galerias ou teve um problema com ele. Diz que simplesmente ninguém me pediu.

Mas isso mudou. Donnelly, que trabalha sob o nome KAWS, foi contratado pela Gering & Lopez Gallery em Nova Iorque, onde terá uma apresentação em novembro. Ele também exibirá um conjunto de quadros na Galerie Emmanuel Perrotin em Miami em setembro e terá outra mostra individual no começo do próximo ano no Honor Fraser em Los Angeles. Sandra Gering, da Gering & Lopez Gallery, não ouvira falar de Donnelly antes que outro artista com quem trabalha o incluiu em um show do grupo no verão passado, mas ela está claramente apaixonada pelas pinturas a óleo claras, limpas, e levemente incomuns de Donnelly que com freqüência se pautam em figuras da cultura pop como os Smurfs e os Simpsons. E ela imagina que há outro mercado para esse trabalho. Acho que ele precisa aparecer no mundo das artes, diz.

Parece estranho que alguém que já se sustenta como um artista seja introduzido ao mundo da arte somente agora, mas a história de Donnelly pode dizer alguma coisa sobre as diferentes formas que um trabalho criativo pode adquirir valor nos dias de hoje. Ele estudou pintura e se formou em ilustração na School of Visual Arts em Nova Iorque, e durante os anos 1990 ganhou uma certa notoriedade underground por remover anúncios em abrigos de ônibus em Manhattan e alterá-los ¿ geralmente adicionando uma imagem levemente perturbadora parecida a uma caveira, com X no lugar dos olhos ¿ e depois colocando-os de volta.

Visitas ao Japão o colocaram em contato com uma subcultura de jovens criadores determinados que mesclavam as linhas entre design, arte e negócios, e em 1999 ele começou a produzir versões plastificadas e parecidas com brinquedos de seus personagens além de colaborar com produtos de empresas como a marca de skate DC Shoes e com a linha de moda Comme des Garcons. Ele gradualmente construiu uma clientela própria com suas pinturas, e imagens do trabalho viajaram amplamente pela rede.

John Jay, diretor de criação da agência de propaganda Wieden & Kennedy, se lembra de ter encontrado Donnelly no Japão e pensar que ele de alguma forma tinha pulado um passo da carreira. Mas as pessoas nem sempre entendem, acrescenta Jay, que você não precisa ter uma galeria para vender a estrelas internacionais.

Edward Winkleman, dono da Winkleman Gallery em Nova Iorque, oferece uma perspectiva levemente distinta. Em seu site , ele oferece observações reflexivas e conselhos práticos sobre donos de galeria superprotetores, estratégias de visitas de estúdios e similares. Enquanto a Internet está ajudando um número crescente de artistas a serem notados, ele diz, a maioria dos artistas em ascensão ainda prefere acreditar em um dono de galeria para entrar em contato com consumidores apropriados (colecionadores). E a construção da reputação e estabelecimento de contatos de Donnelly é basicamente o que Winkleman aconselha a muitos de seus leitores; ele apenas o fez em um contexto diferente ¿ um em que vender a criatividade é parte do trabalho.

Então por que se preocupar com galerias? Winkleman aponta que continua muito mais difícil para os artistas que operam fora da estrutura do mundo da arte acabar em coleções de museus, que ainda são vistas como a validação quintessenciada por muitos. E certamente um novo mercado é parte da equação. Gering tem apresentado o trabalho de Donnelly aos clientes desde o verão passado, e vendemos todo quadro que trouxemos à galeria, ela diz. A apresentação de novembro consistirá em novas esculturas (incluindo 33 modelos pintados e em bronze de sua própria cabeça) e pinturas; as obras custarão a partir de US$25 mil.

Donnelly, que é surpreendentemente uma pessoa reservada e humilde, acrescenta uma visão diferente sobre seu trabalho numa galeria. Dificilmente alguém viu de perto suas pinturas vendidas. Mesmo as obras que aparecem na Internet, diz ele, acabam parecendo como se tivessem sido feitas em um computador. As pessoas realmente não têm idéia do que estão olhando, diz. Quero que elas possam ficar de frente para a obra.

Por Rob Walker para a The New York Times Magazine

Leia mais sobre arte


    Leia tudo sobre: arte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG