Novos veteranos americanos são atingidos pela crise econômica

Depois que um morteiro mandou Andrew Spurlock pelos ares no Iraque, acabando com sua carreira militar em 2006, o soldado deixou a amargura de lado por conta de seu ferimento nas costas e começou a planejar sua vida: uma nova casa, um novo emprego e mais filhos.

The New York Times |

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"Nós tínhamos um orçamento e um plano", disse Spurlock, 29, pai de três, que juntamente com a mulher, Michelle, esperava evitar as dificuldades de sua mudança de Ramadi, Iraque, para Apopka, Flórida.

Mas a mudança se mostrou traiçoeira, como geralmente é para os veteranos. O emprego no gabinete do xerife de Orange County chegou ao fim depois que os oficiais locais disseram que Spurlock precisava "descansar" depois de duas convocações para batalha, algo que o surpreendeu. Sem saída, ele teve que aceitar um emprego como entregador de pizza.

A ação do auxílio-deficiência de Spurlock levou 18 meses para ser processada, um ano a mais do que ele esperava. Com pouca opção, o casal começou a pagar a hipoteca no cartão de crédito. A dívida da família chegou a US$60 mil, grande parte dela em contas médicas, inclusive para sua mulher e filhos. A desapropriação parecia certa.

Ainda que poucos americanos tenham conseguido escapar das dificuldades da crise financeira, os novos veteranos do país, principalmente os feridos, sofrem ainda mais. A tríplice de deficiência, desemprego e espera por recompensas militares tem levado muitos veteranos à desapropriação, ou ao limite, de acordo com organizações de veteranos.


Spurlock: problemas em encontrar emprego após retornar do Iraque / NYT

O problema é difícil de quantificar porque não há estatísticas que separem os veteranos dos demais membros das forças armadas. O Congresso recentemente pediu que o Departamento de Assuntos Veteranos descubra como os veteranos de guerra têm sido atingidos pela crise imobiliária.

O Exército também começou a acompanhar a desapropriação de seus soldados pela primeira vez. Organizações de serviço reportam que os pedidos de ajuda de militares e novos veteranos, especialmente os feridos, mental ou fisicamente, que têm lutado para manter suas casas e pagar as contas, aumentou muito.

"A demanda aumentou vertiginosamente este ano", disse Bill Nelson, diretor executivo da USA Cares, um grupo sem fins lucrativos que oferece ajuda financeira a membros das forças militares e veteranos.
Moradia, segundo Nelson, "é a maior motivadora dos últimos 12 meses"

Ajuda

O Congresso recentemente adotou pequenas medidas para ajudar, proibindo que as financiadoras desapropriem militares por nove meses depois que eles retornam do serviço, período que antes era de três meses, e garantindo que os juros sobre suas hipotecas permaneçam estáveis por um ano.

"Nós devemos mais a estes homens e mulheres do que um tapinha nas costas", disse os enador John Kerry, Massachussets, que apresentou o projeto de lei.

Por LIZETTE ALVAREZ

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