Novos táxis de Nova York passam por testes no deserto

Modelo do automóvel vencedor do concurso 'Táxi do Amanhã' passa por testes para estar preparado para buracos do asfalto da cidade

The New York Times |

Com ruas repletas de buracos, asfalto irregular e pedregulhos espalhados por todos os lados - essa poderia ser Nova York.

Na verdade, trata-se da Avenida Nova York, localizada perto da cidade de Stanfield, Arizona. Ela foi construída por engenheiros da Nissan numa propriedade de quase 3.050 acres que a empresa usa para testar e fortalecer a próxima geração de táxis de Nova York.

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Antigo táxi passa pela pista improvisada na fábrica no Arizona da Nissan, que será responsável pelo 'táxi do amanhã'

Em maio, a Comissão de Táxis e Limousines da cidade de Nova York, escolheu o Nissan NV200 como o Táxi do amanhã, que será o modelo de táxi exclusivo da cidade por cerca de cinco anos, começando no final de 2013. O design final do automóvel ainda está em processo de desenvolvimento.

"Criamos a Avenida Nova York para imitar as ruas irregulares de Nova York", disse Joe Castelli, vice-presidente de veículos comerciais da Nissan das Américas, em uma entrevista durante uma visita à pista de testes.

Um protótipo do veículo foi recentemente exibido perto do Edifício Flatiron, em Manhattan, para solicitar sugestões dos cidadãos. O novo táxi terá entradas USB e tomadas para os dispositivos eletrônicos dos passageiros. O exterior será pintado em um tom ligeiramente mais brilhante do que o amarelo dos táxis que hoje transitam pela cidade.

O NV200 foi escolhido entre dois outros finalistas, o Ford TransitConnect e um automóvel idealizado pela Karsan, uma fabricante de automóveis da Turquia. A Nissan tem tido a cooperação do Museu de Design Cooper-Hewitt e do Fundo de Design para o Espaço Público no desenvolvimento do projeto.

Castelli disse que como o táxi baseia sua proposta em um veículo comercial, irá passar por mais testes de estrada - cerca de 645 mil km - do que um automóvel de recreação. Muitos desses quilômetros serão rodados na Avenida Nova York, uma faixa de 0,5 km de concreto irregular nas instalações da empresa ao sul de Phoenix. No lugar existe uma pista para testes de alta velocidade, assim como outras instalações.

Castelli disse que visitou o local de testes no mês passado. "Basicamente, você vai até Phoenix, vira à direita e segue para o deserto ", disse.

A pista de testes da Nissan já tem trechos especiais para medição de possíveis problemas que possam ser enfrentados na cidade, como "solavancos na pista". Mas Nova York tem alguns problemas específicos, explicou Castelli, porque "tem algumas das piores ruas e buracos que já vimos".

Ele acrescentou:" Nós queríamos ter superfícies irregulares, porque quando um veículo entra em uma curva há sempre uma tendência de que deslize um pouco".

A bateria de testes no Arizona é parte de um amplo processo de desenvolvimento, segundo Castelli. Nos últimos meses, designers e executivos se reuniram com proprietários, operadores, condutores e passageiros.

"Nós também fazemos outros tipos de testes", disse Castelli, como a colocação de veículos dentro de quatro máquinas que os balançam de uma maneira que testa sua resistência. "O que é
visto é a durabilidade a longo prazo do veículo."

Steve Monk, o diretor de testes dos veículo no campo de testes, disse: "Existem certas coisas que estamos fazendo especificamente para testar o táxi. Fizemos várias viagens à cidade, coletando dados sobre as superfícies de suas ruas. Observamos o estilo de dirigir dos motoristas – o quão agressivos são quando aceleram e freiam em superfícies diferentes da estrada."

"Nós também queremos entender os ciclos de operação, como quantas vezes uma porta é aberta e fechada por dia e quantas vezes alguém senta em um assento ao longo de um período de dois ou três anos ".

A Nissan estima que as portas traseiras são fechadas 300 mil vezes durante um dia de trabalho do taxista.

A Nissan comprou vários automóveis do antigo modelo de Crown Victoria para ver como eles reagiam aos testes "Queremos usá-los como um ponto de referência", acrescentou Monk.

Monk disse que a ideia de construir a Avenida Nova York começou há alguns anos, até mesmo antes do projeto dos táxis. A empresa já sabia através de alguns testes que haviam feito que as ruas de Nova York representam um certo desafio para automóveis em geral.

"Nós estávamos recebendo algumas queixas sobre o conforto na hora de dirigir de motoristas de carros de passeio em Nova York que estavam fora das nossas expectativas", disse. "As queixas se destacaram dos resultados de outras regiões do país. Então decidimos replicar uma seção de Nova York no campo de testes ".

Monk disse que o modelo para o que se tornou a Avenida Nova York foi inspirado em um trecho do Boulevard Guy R. Brewer, uma parte com concreto bem irregular ao norte do Aeroporto J. F. Kennedy. "Felizmente, eu acredito que posteriormente esse trecho foi regularizado", acrescentou.

O complexo no Arizona também tem uma seção que simula um pavimento com buracos e valas cheias de água. Os perigos urbanos em Arizona são temperados com perigos naturais. Os buracos muitas vezes servem de abrigo para cascavéis. "Temos de tudo no escritório, desde escorpiões até cascavéis", disse Monk. "Famílias inteiras de coiotes vivem aqui."

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Buraco em uma rua de Nova York, nos EUA

Castelli disse que ficou sabendo que duas das maiores empresas de táxi da Índia tinham decidido utilizar o NV200, porque ouviram que ele estava sendo utilizado em Nova York.

"Um dos anúncios que estão passando ao redor do mundo mostra a imagem do táxi de um lado e de uma van de carga do outro. O slogan é: 'Se ele consegue sobreviver a Nova York, poderá sobreviver em qualquer lugar'. Então, dois anos antes do lançamento já estamos usufruindo da fama de Nova York."

Monk tem outro tipo de vínculo com a cidade. "Eu me envolvi nesse projeto, porque mesmo tendo crescido no sudeste do Texas eu sou fã dos Yankees", disse ele.

"Minhas viagens são sempre baseadas no cronograma de jogos dos Yankees", disse. Mas quando ele vai para o Bronx, ele não pede um táxi. Porque ele gosta de misturar-se com seus companheiros também fanáticos pelos Yankees. "Eu sempre vou de trem. "

Por Phil Patton

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