Novo pacote do Fed pode aliviar a crise financeira nos EUA

WASHINGTON - O Federal Reserve e o Tesouro anunciaram US$800 bilhões em novos programas de empréstimos na terça-feira, declarando que irão gerar tanto dinheiro quanto necessário para reavivar o sistema bancário dos Estados Unidos.

The New York Times |

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Os esforços gigantescos (um para financiar empréstimos aos consumidores e outro maior para diminuir as hipotecas sobre imóveis) fazem parte da última, e provavelmente não a final, iniciativa do governo federal para absorver a crise que teve início com as perdas nas hipotecas de alto risco e se espalhou por toda a economia.

No último ano, o governo assumiu cerca de US$7,4 trilhões em obrigações financeiras diretas e indiretas. Isso representa metade de toda a economia do país e muito maior do que o resgate de US$700 bilhões que o Congresso autorizou para o plano de resgate do Tesouro.

Essas obrigações incluem cerca de US$1,5 trilhões que já estão comprometidos em empréstimos, injeção de capital em bancos e o resgate de empresas como a Bear Stearns e a American International Group. Mas também incluem outros trilhões em garantias do governo e hipotecas, depósitos bancários, empréstimos comerciais e fundos de mercado.

O mercado de hipotecas foi energizado pelo anúncio do Fed de que irá intervir e comprar US$600 bilhões em dívidas relacionadas às garantias de hipotecas da Fannie Mae e Freddie Mac. Os juros fixos de hipotecas de 30 anos caíram quase um ponto percentual, de 6,3% para 5,5%.

Os investidores em ações reagiram friamente ao anúncio. Os principais índices de ações tiveram queda inicial. Mas o índice Standard & Poor's 500 voltou a cair levemente, fechando em 857.39, alta de 0,66%. O Nasdaq fechou com queda de 0.5%, em 1.464,73.

Os riscos a longo prazo são enormes, mas difíceis de se estimar. Eles começam com o perigo de uma possível nova inflação, pelo menos depois que a economia sair de sua crise atual. Além disso, os contribuintes terão que pagar pelas perdas de empréstimos inadimplentes ou garantias que precisam ser consertadas.

Mas os perigos desconhecidos mais problemáticos são as redes de proteções para investidores e consumidores que mudarão o comportamento econômico e político no futuro.

Autoridades desta gestão e do banco central contestam que o risco de não se fazer nada é uma profunda depressão na qual o desemprego chegaria a mais de 10% e o país precisaria de anos para se recuperar.
Muitos economistas concordam.

"Eles estão fazendo o que podem", disse Laurence H. Meyer, ex-governador do Fed que agora é vice-presidente da Macroeconomic Advisers, uma empresa de previsão econômica. "O problema é que, quanto mais seguirmos nessa direção, pior será para voltarmos atrás e pior ainda a estratégia alternativa".

Por EDMUND L. ANDREWS

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