Novo embaixador americano enfrenta problemas em Moscou

Chegada de McFaul coincide com a tentativa do Kremlin de acusar os EUA de incentivar protestos contra governo de Medvedev e Putin

The New York Times |

Na história da diplomacia internacional nenhuma lua-de-mel teve uma duração mais curta do que a do embaixador Michael A. McFaul, que chegou na Rússia no dia 14 de janeiro para representar os Estados Unidos.

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NYT
Embaixador dos EUA para a Rússia, Michael McFaul, em sua casa em Moscou

No fim de seu segundo dia no trabalho, um comentarista da rede estatal Canal 1 afirmou durante o noticiário do horário nobre que McFaul foi enviado a Moscou para fomentar uma revolução. Um colunista do jornal Izvestia voltou ao assunto no dia seguinte, dizendo que sua indicação marcou um retrocesso ao século 18, quando "a participação de um embaixador em intrigas e conspirações contra o governo era algo comum.”

McFaul, 48, chegou a uma cidade agitada por conjecturas e paranoia, enquanto o Kremlin tenta retratar a onda de protestos anti-governo como um projeto incentivado pelos Estados Unidos .

Se a explosão venenosa que saudou McFaul foi concebida como um aviso para que ele tenha pouca voz em seu novo papel, ele não parece ter concordado com a ideia. No final de sua primeira semana como embaixador, ele estava entusiasmado, dizendo que seu objetivo é "acabar com os estereótipos da Guerra Fria (1947-1991)", especialmente com as "declarações absurdas" sobre as intenções dos Estados Unidos na Rússia.

"Eu sei que estou aqui para dar o meu melhor e eu não tenho nada para esconder, me sinto muito confiante a respeito da nossa política e em como apresentá-la", disse McFaul, um nativo da cidade de Bozeman, Montana, que passou grande parte de sua carreira no mundo acadêmico.

Nos últimos meses, o Kremlin tem sido abalado por protestos contra o primeiro-ministro Vladimir Putin, que espera conquistar um terceiro mandato como presidente nas próximas cinco semanas. Em meio a repetidas acusações de que o Departamento do Estado mobilizou os manifestantes, a atenção voltou-se para o histórico da carreira de McFaul – que se especializou como um cientista político que teve como foco uma pesquisa sobre a revolução e a construção da democracia.

McFaul disse que seu trabalho acadêmico, por vezes complicou seu trabalho como estrategista de Obama para a Rússia, e enfatizou que está no país para "executar, aprofundar e fortalecer" os esforços para redefinir a relação entre os países, que não estão muito boas desde o governo de George W. Bush (2001-2009).

O jeito aberto e apaixonado de ser de McFaul servirá aos interesses dos Estados Unidos, disse Sergei Markov, um velho amigo. Markov, agora um partidário de Putin e membro do partido Rússia Unida, lembra de discussões que teve com McFaul como as mais intensas de sua vida.

"Os diplomatas são frios e McFaul não é, e essa é a diferença", disse. "Uma pessoa determinada representando os Estados Unidos é sempre algo bom para eles. Os Estados Unidos são um país muito determinado."

Por Ellen Barry

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