Nova York busca soluções para veteranos desabrigados

NOVA YORK ¿ Em uma noite qualquer, um potencial exército de 150 mil veteranos está desabrigado nos EUA, cerca de 1.200 só em Nova York.

The New York Times |

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Estimulados pelo retorno de milhares de soldados das guerras do Afeganistão e Iraque em meio a uma recessão, autoridades municipais tomaram medidas sem precedentes para evitar que uma nova onda de veteranos durma nas ruas.

Durante o ano passado, a cidade gastou US$2,3 milhões para remodelar um sujo abrigo de veteranos, localizado no Queens, substituindo um único quarto repleto de beliches por 243 pequenos quartos militares pré-fabricados, e gastará US$14,8 milhões para construir dois prédios de apartamentos onde os moradores estarão próximos ao Centro Médico para Veteranos James J. Peters, no Bronx. Existe também a possibilidade de dois prédios anexos desocupados no centro médico de Montrose se transformarem em 96 unidades de casas temporárias, o primeiro projeto do gênero no Estado.  

Talvez a ação mais importante tenha sido a união do Departamente Municipal de Serviço ao Desabrigado e do Departamento para Assuntos de Veteranos de Guerra ao Project Torch, onde os veteranos podem procurar por moradia assim como outros serviços, tudo em um mesmo escritório ¿ algo que nenhuma outra cidade tem, segundo informações do Departamento para Assuntos de Veteranos de Guerra.

Modelos

Os dois passos estão sendo monitorados de perto por Washington como possíveis modelos para outras comunidades que querem evitar uma nova onda de desabrigados como a que seguiu a guerra do Vietnã, e mesmo aqueles que criticam a burocracia federal em relação aos desabrigados estão otimistas. Rosanne Haggerty, cujo grupo, Common Ground, pioneiro no modelo de assistência à moradia e gerente do programa em Montrose, disse que muita coisa sugere que, o que Nova York está fazendo, está realmente mudando a situação.

Haggerty adicionou, Nós não sabemos se o modelo perfeito já foi construído, mas as relações estão aí para não cometermos os mesmo erros do passado. 

Peter H. Dougherty, diretor do programa de desabrigados do Departamento para Assuntos de Veteranos de Guerra, disse que nos últimos três anos e meio, o departamento trabalhou com 2 mil veteranos desabrigados egressos das guerras atuais; o Departamento Municipal de Serviço ao Desabrigado disse que apenas algumas dezenas deles são filtrados pelo sistema.

Dougherty prevê menos veteranos desabrigados vindos das guerras atuais do que os que voltaram da guerra do Vietnã, e aponta: É uma demografia muito diferente. Os voluntários servindo no Iraque o no Afeganistão, disse, particularmente aqueles na Guarda Nacional, são mais velhos, provavelmente casados e com alto nível de escolaridade ¿ e com laços sociais mais fortes.

Mas alguns defensores olham para a economia instável e para o grande número de guerreiros com distúrbios pós-traumáticos relacionados ao stress e avistam um tsunami de necessitados. E apontam que os veteranos da guerra do Vietnã não apareceram nas ruas até a metade da década de 1980, cerca de uma década depois do fim da guerra.

Em um primeiro momento, Nova York, como muitas cidades, tratou a crise de veteranos desabrigados como uma situação de curto prazo. Mas a cidade estima que em uma noite qualquer, 625 veteranos permanecem espalhados pelos abrigos e outros 560 ou mais moram nas ruas (defensores dos moradores de rua dizem que esse número é menor).

Ações

O prefeito Michael R. Bloomberg, que fez da redução do número de desabrigados uma prioridade em sua eleição, criou uma força-tarefa há dois anos com foco nos veteranos desabrigados e liderada por Robert V. Hess, sargento aposentado em 1979 e membro do conselho do Departamento Municipal de Serviço ao Desabrigado.  

O primeiro objetivo era remodelar o único abrigo da cidade dedicado aos veteranos, um espaço cavernoso que já abrigou 400 veteranos em beliches. As filas de beliches foram substituídas por pequenos quartos com uma cama, uma cômoda e uma escrivaninha. Os quartos seguem o estilo militar e são inspecionados. A limpeza e ordem podem render ao ocupante privilégios como o direito de ver televisão ou ouvir rádio.  

Annie Belton, que serviu entre 1989 e 1992, chamou o abrigo remodelado de um dos melhores sistemas disponíveis; ela o tem utilizado periodicamente há anos. Eu gosto do fato de poder fechar minha porta e trancá-la, disse.

No próximo mês, o Jericho Project, uma organização sem fins lucrativos baseada em Nova York, vai começar a construir o primeiro dos dois prédios próximos ao Centro Médico para Veteranos James J. Peters, próximo ao Bronx.

Sessenta por cento das 132 unidades, que serão subsidiadas pelo governo e por doações de empresas privadas, irão abrigar veteranos que estão atualmente desabrigados; o resto será reservado a veteranos que logo estarão em apuros. Estamos de olho nos veteranos do Iraque e do Afeganistão, disse Victoria Lyons, diretora do Jericho. Acreditamos que poderemos abrigá-los antes deles irem para as ruas.

Por LESLIE KAUFMAN

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