Nova York ajuda sem-teto com passagens para que deixem a cidade

Eles embarcam para Paris (US$ 6.332), Orlando (US$ 858,40), Johannesburg (U$ 2.550), ou mais frequentemente, San Juan (US$ 484).

The New York Times |

Não se trata de executivos em viagens de negócios ou casais em lua-de-mel. Ao invés disso, são famílias que acabaram nas ruas, sem-teto, e receberam passagens para voltar para casa (só de ida) como cortesia da cidade de Nova York.


Família desabrigada ganha passagem para casa de parente / NYT

A gestão Bloomberg, que luta contra um aparentemente intratável problema de desabrigados há anos, pagou para que mais de 550 famílias deixassem a cidade desde 2007, como forma de mantê-los fora do caro sistema de abrigos, que custa US$ 36 mil ao ano por família. É preciso apenas que um parente concorde em recebê-los.

Muitos deles são nova-iorquinos de longa data que passam por um momento ruim, chegam ao abrigo e pulam de alegria diante da oferta de mudança gratuita. Outros chegaram à cidade recentemente e ficam felizes em voltar para casa depois de encarar o desânimo causado pelo barulho da cidade, seu metrô labirinto, o difícil mercado de trabalho e o alto custo de vida.

Na entrada do centro de abrigos, assistentes sociais perguntam às famílias quais são suas opções de alojamento em outros lugares. Se uma família diz que têm parentes que poderiam estar dispostos a recebê-los e isso é confirmado, ela pode conseguir passagens de avião, ônibus ou trem em poucas horas, embora a cidade às vezes prefira esperar alguns dias para evitar a despesa de tarifas de última hora.

A cidade, que gasta US$ 500 mil ao ano com o programa, emprega uma agência de viagens local, a Austin Travel, para reservar passagens só de ida para viagens domésticas. O Departamento de Serviços para os Sem-Teto faz todo o planejamento de viagens internacionais.

Funcionários da cidade dizem não haver nenhum limite sobre o destino e as famílias podem rejeitar a oferta e permanecer em abrigos da cidade. Até agora, famílias foram enviadas a 24 Estados e cinco continentes, frequentemente para Porto Rico, Flórida, Geórgia e as Carolinas.

O programa, no entanto, não lida com os problemas adjacentes que trouxeram as famílias para Nova York, disse Arnold S. Cohen, presidente e principal executivo da Sociedade para os Sem-Tetos, um grupo de advocacia de Nova York.

"A cidade está comprometida com a cosmética", disse Cohen. "O que nós estamos fazendo é passar o problema do desabrigo para outra cidade. Estamos levando as pessoas de uma cama de abrigo aqui para o sofá da sala de estar de outra família. Essencialmente, esta família ainda não tem teto".

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