Nova pílula deve agitar debate sobre o desejo sexual feminino

Empresa alemã afirma ter criado medicamento que seria uma espécie de Viagra para as mulheres

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Imagem do website "Sex Brain Body" ("sexo cérebro corpo"), parte da campanha de marketing da empresa Boehringer, criadora da pílula
Desde que o Viagra se tornou um grande sucesso em 1998, a indústria farmacêutica tem procurado uma pílula similar para as mulheres.

Agora, uma gigante farmacêutica alemã diz que criou uma pílula e está tentando convencer o Food and Drug Administration, a Agência de Alimentação e Medicamentos dos Estados Unidos, de que o remédio pode ajudar a restaurar o desejo sexual feminino.

O esforço deve desencadear um debate sobre o que constitui uma escala normal de desejo sexual entre as mulheres, com críticos dizendo que a empresa está tentando transformar baixa libido em problema medicinal.

Na quarta-feira, um relatório de equipe do FDA recomendou a não aprovação do remédio, dizendo que o fabricante, Boehringer Ingelheim, não conseguiu provar se os benefícios da pílula diária compensam seus efeitos colaterais, que incluem tonturas, náuseas e fadiga.

Esse relatório de equipe foi divulgado antes de uma reunião que será realizada na sexta-feira por um painel consultivo de peritos do FDA, que irão votar se devem recomendar que a agência aprove a pílula, que seria a primeira droga destinada especificamente a um baixo desejo sexual em mulheres antes da menopausa.

Relatórios de equipe do FDA têm peso, mas nem sempre definem como painéis consultivos irão votar e votos de aconselhamento nem sempre indicam qual será a decisão final da agência.

Alguns analistas acreditam que, se a droga chegar ao mercado, ela poderia ter vendas anuais de US$ 2 bilhões no país - ou o equivalente à soma das vendas anuais dos remédios destinados aos homens: Viagra, Levitra e Cialis.

Não há controvérsia sobre o fato de algumas mulheres observarem um nível menor de desejo sexual que lhes causa angústia. Boehringer cita uma condição física - a desordem do desejo sexual hipoativo - que está incluída no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, um livro de referência para psiquiatras e seguradoras.

Mas muitos especialistas dizem que ao contrário da disfunção sexual em homens - que tem um componente físico óbvio - problemas sexuais nas mulheres são muito mais difíceis de diagnosticar.

Entre médicos e pesquisadores há um sério debate sobre a possibilidade de tratamento dos problemas sexuais femininos com remédios. Alguns médicos defendem a psicoterapia ou aconselhamento, enquanto outros prescrevem remédios hormonais aprovados para outros usos.

Também há debate sobre quão amplamente generalizada é a desordem do desejo sexual hipoativo entre as mulheres. A literatura médica, incluindo artigos no Jornal de Medicina New England, indicam números acima de 10%, mas estes estudos foram financiados por empresas farmacêuticas.

Críticos dizem que a campanha de mercado da Boehringer exagera a prevalência da condição e pode gerar ansiedade entre as mulheres, fazendo com que pensem que têm uma doença que demanda tratamento médico.

Boehringer desenvolveu o remédio, flibanserin, como um antidepressivo, mas não conseguiu curar a depressão. A empresa diz que descobriu por acaso que a pílula, tomada diariamente durante semanas, poderia restaurar a libido feminina.

Por Duff Wilson

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