Nova onda de iranianos busca estudos nos Estados Unidos

Apesar da tensão entre os países, número de alunos nascidos no Irã que estudam em universidades americanas cresce desde 1994

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O iraniano Ali Kamranzadeh, que estuda engenharia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles
Mesmo quando era adolescente no Irã, Atefeh Fathi sabia que iria estudar no exterior. Agora, com 30 e aluna do curso de engenharia da Universidade de Oklahoma, Fathi afirmou que embora tenha se inscrito em universidades na Suécia e no Canadá, sua primeira escolha sempre foi os Estados Unidos.

"Todo mundo diz que os Estados Unidos é um país mais fácil para os estrangeiros” se adaptarem, ela disse, durante uma pausa do trabalho no laboratório de sua universidade.

Quando crianças, os iranianos aprendem inglês na escola, o que torna mais fácil que se misturem imediatamente nos Estados Unidos.

Fathi faz parte de uma grande onda de iranianos que estudam nos Estados Unidos, em números não observados em mais de uma década.

Desde 1979, quando dezenas de milhares de iranianos estudaram nos Estados Unidos, o número de estudantes do Irã no país entrou em declínio quase ininterrupto, caindo para menos de 1.700 alunos em 1999.

Desde então, o número de alunos começou um lento mas constante crescimento, com mais iranianos no país agora do que em qualquer outro período desde 1994, diz o Instituto de Educação Internacional, em Nova York.

Os estudantes iranianos afirmam que escolheram vir para os Estados Unidos por causa de suas boas instituições superiores e generoso financiamento para pesquisa.

Estes alunos acreditam que apesar do aumento das tensões políticas entre Estados Unidos e Irã, sua educação americana irá colocá-los em posição vantajosa na hora de conseguir um emprego melhor quando voltarem para casa.

No entanto, para entrar nos Estados Unidos, os ambiciosos estudantes enfrentam obstáculos inconvenientes. A obtenção do visto de estudante pode levar muitos meses. Devido a preocupações de segurança, os iranianos enfrentam análises de antecedentes a que o Departamento de Estado se refere como o processamento administrativo adicional por parte das autoridades americanas.

Porque não há nenhuma embaixada americana no Irã, os alunos precisam viajar até as embaixadas e os consulados americanos em outros países para solicitar o visto. Fathi apresentou o seu pedido de visto no Chipre, algo que custou cerca de US$ 5 mil em viagens e outras despesas.

Depois que foi aceita, Fathi recebeu um visto que lhe permite entrar nos Estados Unidos apenas uma vez, ou seja, ela não pode sair do país para voltar para casa ou viajar para o exterior sem ter que pedir um novo visto.

Um funcionário do Departamento de Estado explicou que a política, uma das mais rigorosas, reflete as restrições do Irã para cidadãos americanos que entram no país. Se deixarem os Estados Unidos, os iranianos podem reaplicar para o visto, mas correm o risco de enfrentar atrasos ou rejeição.

Apesar das restrições, Omid Memarian, uma jornalista iraniana e ativista de direitos humanos que se formou no ano passado pela Universidade da Califórnia, Berkeley, atribui o aumento de estudantes que vão aos Estados Unidos à repressão política no Irã, que começou quando o presidente Mahmoud Ahmadinejad tomou posse em 2005.

Os alunos que fazem protestos ou participam de passeatas contra o governo, segundo Memarian, estão muitas vezes na lista negra das universidades, algo que os força a buscar educação no exterior em maior número.

Além disso, ela acrescentou, os jovens iranianos veem um diploma de uma universidade ocidental como o bilhete para um emprego bem remunerado em uma economia iraniana prejudicada por sanções internacionais.

Por Yeganeh June Torbati

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