Nova geração de surfistas toma conta das competições femininas

HALEIWA, Havaí - Em julho, Christy Manuel chegou ao Aberto de Surfe dos EUA em Huntington, Califórnia, pagou o parquímetro por 20 minutos e caminhou até a praia onde sua filha Malia, 14, competia nas disputadas quartas de final. Eu não esperava ficar ali o dia inteiro, disse Christy.

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Mas Malia Manuel derrotou a ex-campeã mundial Sofia Mulanovich, 25, e passou para a próxima rodada, fazendo com que sua mãe tivesse que correr até o parquímetro. "Um fiscal estava me multando", ela disse. "Eu gritei, 'Hey, ainda estou aqui'".

Malia, agora com 15, de Kauai, Havaí, ganhou outras duas rodadas naquele dia e se tornou a mais jovem vencedora do campeonato desde seu início em 1959. Coco Ho, 17, ficou em segundo lugar.


Malia Manuel comemora o título / Getty Images

As duas adolescentes pertencem a uma nova geração de mulheres que estão abalando as estruturas do surfe feminino profissional. A maioria ainda está na escola e precisarão de alguns anos para começar a competir por dinheiro. Mas com uma combinação de manobras poderosas e evolução progressiva, revelam uma nova era na performance esportiva.

"Essa é uma mudança na guarda do surfe feminino", disse Wayne Bartholomew, presidente da Associação de Surfistas Profissionais, órgão que controla as competições profissionais.

Em novembro, Carissa Moore, 16, ganhou o Reef Hawaiian Pro em Haleiwa, na ilha de Oahu, ao derrotar a campeã mundial sete vezes Layne Beachley no último confronto.

"Nós vemos surfistas como Carissa Moore surpreender com suas manobras", disse Beachley, 36, que irá se aposentar das competições depois do Billabong Pro Maui, que começou na quarta-feira.

"Eu nunca consegui fazer uma manobra aérea na minha vida", disse Beachley. "Então acho que estou me aposentando na hora certa".

Universo masculino

Moore, de Honolulu, e sua geração buscam inspiração nos homens. "Nós experimentamos um pouco mais com o nosso surfe, tentamos coisas diferentes e realmente observamos como os homens fazem isso ou aquilo", disse.

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Carissa, 16, vencedora do
Hawaiian Pro
Manuel disse que surfava com os meninos nos feriados em Kauai. "Isso me tornou mais forte, com certeza, porque eu cresci surfando com os caras", ela disse.

A nova geração chegou à idade certa na época em que o surfe feminino se tornava popular. "Quando eu comecei não era aceitável que uma mulher caísse na água", disse Beachley. "Mas agora isso é encorajado, aceitado e respeitado".

Isso é verdade não apenas no Havaí, mas em todo o mundo. A próxima geração incluí Courtney Conlogue, 17, de Santa Ana, Califórnia, e as australianas Sally Fitzgibbons, 17, e Stephanie Gilmore, 20, que conquistou seu segundo título mundial na semana passada no Roxy Pro em Sunset Beach.

"O que está acontecendo no surfe feminino é com certeza a coisa mais empolgante no surfe agora", disse Bartholomew. "Nós teremos uma rivalidade incrível ao longo dos anos. O patamar das atuações será muito maior".

Nova geração

Nas competições, o contraste entre a nova escola e as veteranas pode ser surpreendente.

"Eu acho que a diferença está na combinação que fazemos de potência, fluxo e velocidade", disse Moore. "Também acho que ao mesmo tempo nós tentamos mais truques novos e diferentes".

Alguns notam uma mudança nas atitudes também. Durante a final do Reef Hawaiian Pro no mês passado, Ho pegou uma onda que Beachley estava surfando, cortou sua entrada e fez uma manobra aérea.

Os juízes permitiram a atitude de Ho, mas isso impediu que Beachley pudesse fazer a sua manobra e demonstrou falta de respeito.

"Eu acho que é ótimo que elas cheguem aos campeonatos mundiais e nos desafiem", disse Beachley, da Australia. "Mas acho que é imaturo e demonstra insegurança agir dessa forma".

Moore defendeu Ho e suas amigas adolescentes, dizendo: "Eu li muitos comentários diferentes afirmando que essa geração é mais agressiva, que fazemos coisas que não são legais. Eu fiquei surpresa. Acho que se trata apenas do que se faz, afinal de contas é uma competição".

Moore disse sobre Beachley: "Nós a respeitamos muito. Ela é uma lenda. Mas quando se está numa onda, existe uma fome de competição".

Ao invés de ficar de lado, Beachley disse que chegou a hora de se aposentar e abandonar o papel de cuidar do surfe feminino, dando espaço para as mais jovens.

Ela continuará a competir em alguns eventos. "O talento dessas jovens meninas e sua vontade de vencer me dá confiança de que o surfe está em boas mãos", disse Beachley.

Por MATT HIGGINS

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