Nova equipe de Energia e Meio-Ambiente terá grandes desafios

WASHINGTON ¿ O time que o presidente eleito Barack Obama anunciou na segunda-feira para a pasta de Energia e Meio-Ambiente enfrenta um conjunto de desafios políticos, diplomáticos, econômicos e científicos que poderá frear os planos de Obama para o combate ao aquecimento global e o crescimento da dependência americana de fontes energéticas sujas e incertas.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Reconhecendo que as sucessões presidenciais e do Congresso falharam em progredir nestas questões, Obama prometeu seguir adiante apesar de economia incerta e sugeriu que poderia investir seu capital político em tentar quebrar as barreiras.

Desta vez precisa ser diferente, disse Obama durante a coletiva de imprensa em Chicago. Essa será a prioridade da minha gestão e um teste definitivo para a nossa era. Nós não podemos aceitar complacência nem que ninguém deixe de cumprir suas promessas.

Um pouco depois de Obama falar, autoridades da equipe de transição confirmaram que ele deverá escolher o senador Ken Salazar, democrata do Colorado, como secretário do Interior. A escolha de Salazar completará o time de Energia e Meio-Ambiente da nova administração.

O ponto mais sensível da questão ambiental que o próximo time enfrentará será a necessidade de estabelecer uma abordagem efetiva e politicamente sustentável para assuntos da segurança energética e aquecimento global.

A pessoa central para esses assuntos será Carol M. Browner, que foi nomeada segunda-feira para a nova posição de coordenadora para energia e meio-ambiente.

Browner, administradora da Agência de Proteção do Meio-Ambiente na gestão do Presidente Clinton, irá fiscalizar duas ex-assistentes, Lisa P. Jackson que foi escolhida como nova administradora da Agência, e Nancy Sutley, que será a presidente do Conselho de Qualidade do Meio-Ambiente da Casa Branca. Junto ao grupo, está Steven Chu, vencedor do prêmio Nobel de Física que Obama designou para liderar o Departamento de Energia.

Salazar, ex-diretor do Departamento de Recursos Naturais do Colorado e procurador geral do Estado, é fazendeiro cuja família viveu no Colorado por cinco gerações. Ele é conhecido como conservacionista e contrário ao desenvolvimento de combustível de argila em terras públicas.

Sua indicação deixará uma vaga Democrata no Senado. O Colorado, onde Obama obteve 53% dos votos, tem um governador Democrata, Bill Ritter, que nomeará um substituto para concluir os dois anos finais do mandato de Salazar. O irmão de Salazar, John, congressista, está entre os potenciais indicados para ocupar a vaga.


Obama anuncia equipe de Energia e Meio-Ambiente / AP

As intensas rivalidades ideológicas e regionais que têm emperrado durante anos a legislação sobre o meio-ambiente no Congresso não desapareceram de repente. E, apesar das promessas de Obama de dar prioridade à legislação energética, ele primeiro precisa estabilizar uma economia que gera centenas de milhares de desempregados a cada mês.

O novo time tem urgência política em cumprir as promessas feitas por Obama na campanha eleitoral. Uma delas foi sua promessa de dar incentivos econômicos para reduzir a emissão de gases poluentes e garantir o investimento de US$15 bilhões ao ano em tecnologias avançadas de energia.

Em termos políticos, eu acredito que existem grandes questões sobre a prioridade que será dada aos gastos com infra-estrutura, aos incentivos fiscais, ao mercado do meio-ambiente e regulamentação, disse Paul Bledsoe da Comissão Nacional de Política Energética, um grupo bipartidário de aconselhamento. Precisamos debater muito sobre isso ainda. 

A tensão diplomática acontece na escolha dos passos necessários para estar de acordo com o novo tratado sobre as mudanças climáticas, que os Estados Unidos e quase todas as outras nações se comprometeram a cumprir até o dezembro de 2009. A última rodada de negociações que aconteceu na Polônia semana passada apresentou poucos sinais de progresso, limitando a emissão de gases poluentes sem interferir na economia.

Já é sentido que os Estados Unidos não demonstram medidas internas concretas para desacelerar a emissão de combustíveis fósseis e os países em desenvolvimento continuarão a negar suas obrigações em cortar as emissões. Enquanto Obama irá dispor da maioria democrata que Clinton não teve, o Senado já fez os pré-requisitos para consentir qualquer acordo sobre mudanças climáticas.

Por JOHN M. BRODER and ANDREW C. REVKIN

Leia mais sobre Obama

    Leia tudo sobre: obama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG