Nova geração de artistas traduz dor de iraquianos marcados por conflito

Artistas moldados pela violência e derramamento de sangue encontram espaço em país marcado por oito anos de guerra

The New York Times | 27/06/2011 08:02

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Dentro de um edifício em ruínas em Bagdá, passando por canos furados e subindo uma escadaria sombria, há uma pequena revolução em andamento em óleo e tinta acrílica.

Em um estúdio iluminado por uma única lâmpada fluorescente, um artista de 34 anos de idade chamado Haleem Kasim pinta imagens de guerra e dor quase desconhecidas na arte iraquiana antes da invasão americana, e raramente vistas nos anos desde então. Faixas pretas dominam suas telas caóticas. Faces uivam. Mãos fantasmagóricas se agarram a algo invisível.

<span>Ryana Muhammed (E) assiste a Sammer Esam trabalhar em quadro na Academia de Belas Artes em Bagdá</span> - <strong>Foto: The New York Times</strong> <span>Haleen Kasim no estúdio onde trabalha obras com temática da violência do conflito</span> - <strong>Foto: The New York Times</strong> <span> Trabalho de Omar Imad mostra sensação em meio à guerra</span> - <strong>Foto: The New York Times</strong> <span>Rand Haped faz parte da nova geração de artistas iraquianos</span> - <strong>Foto: The New York Times</strong>

"Costumava pintar a vida feliz, a natureza e coisas como plantas e rosas para me fazer feliz", disse Kasim. "Eu achava que havia uma vida bonita à minha espera. O ambiente em torno de você o obriga a mudar."

Uma nova geração de artistas iraquianos, moldada pela violência e derramamento de sangue que tomaram conta do país desde sua ocupação, está encontrando sua voz em um lugar remodelado por oito anos de guerra.

Eles cresceram sob o punho de ferro de Saddam Hussein e permaneceram no Iraque através da morte e do caos que fizeram com que muitos dos artistas mais proeminentes do Iraque optassem pelo exílio na Europa, Jordânia e Estados Unidos.

"Os jovens iraquianos jovens são capazes de criar um novo tipo de pintura para preencher este vácuo", disse Mohammed al-Kanani, o chefe do alto comissariado para as artes do Iraque.

Mas eles lutam contra as mesmas forças que abafaram um movimento de protesto liderado por jovens no início desse ano: a elite política e social calcificada que quer controlar a narrativa do país.

Embora a queda de Saddam tenha dado nova liberdade para que os artistas pintem o que quiserem, eles dizem ainda ser repreendidos - e muitas vezes intimidados - pelo estabelecimento artístico e político para que expressem uma visão sombria do Iraque.

Os mais velhos preferem que os novos artistas evitem assuntos incômodos, como a corrupção e a violência que continua a assolar o país. "Deve haver uma mudança", disse Omar Shahabi, 28 anos, que entrou em um concurso de arte estudantil com o retrato de uma jovem mulher iraquiana tentando infrutiferamente deixar o país. "Nós expressamos a realidade em que vivemos. Isso é muito simples. Eu não estou vivendo em algum outro lugar onde há paz. Estou passando a minha mensagem”.

Quando chegou a hora de dar nome aos vencedores, o conjunto de rostos iraquianos sofridos por Kasim e a mulher desafiadora de Shahabi ficaram entre os que recebem certificados de participação.

Para os dois principais prêmios, os juízes escolheram uma pintura impressionista de mulheres em casa, e uma escultura em bronze de um touro contente mastigando grama.

*Por Jack Healy

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