Nos EUA, vender casas é difícil, mas vender iates pode ser pior

Crise financeira de dois anos atrás abalou mercado; até 2008 eram 300 novos barcos vendidos anualmente, hoje são 100

The New York Times |

O que é mais difícil do que ter um elegante iate à venda em um mercado saturado? A resposta, pelo menos no momento, é ter dois iates à venda no mercado.

Em tempos de bonança, os entusiastas que encomendavam um barco mantinham o antigo por dois ou três anos, o tempo que seria preciso para o novo ficar pronto. Depois, eles rapidamente vendiam o iate antigo para novos e impacientes milionários e bilionários, ansiosos por seus necessários símbolos de status.

Mas essa equação mudou com a crise financeira há dois anos e abalou o mercado dos super iates. Segundo uma estimativa, 300 novos barcos foram vendidos anualmente em todo o mundo desde meados dos anos 1990 até a crise econômica que teve início em 2008, quando as vendas caíram para cerca de 100 barcos.

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Iates em uma marina em Doha, no Catar. Apesar de objetos de desejo de muitos, iates têm dificuldades para ser vendidos atualmente nos EUA
Os dias em que um especulador poderia colocar iates no mercado e contar com uma venda rápida ficaram para trás. Hoje, o mercado é certamente do comprador, que encontra desde iates de 100 pés até aqueles com mais de 200 pés.

Mas a indústria acelerou um pouco nos últimos meses. "Há mais atividade no mercado de barcos usados", disse William S. Smith III, vice-presidente da Trinity, a maior construtora de iates dos Estados Unidos. "Mas ainda há muitos iates novos à venda e, enquanto este for o caso, as pessoas irão manter as mãosnos bolsos".

Medo

O medo é parte do problema. Os ricos estão guardando o seu dinheiro, e até mesmo os especuladores que construíam iates, confiantes de que poderiam encontrar compradores dispostos entre os novos ricos, preferem não arriscar.

Certamente, o aumento nos preços de bens como arte e antiguidades sugerem que os super-ricos estão voltando a abrir suas bolsas e a procurar investimentos que irão manter o seu valor.

Mas se os americanos vão dominar o mercado, quando os tempos melhores retornarem ainda não se sabe. Smith, por exemplo, disse: "Os russos estão voltando, bem como os indianos, e por isso eu não acho que os americanos vão voltar a dominar o mercado como já fizeram".

No momento, é tão fácil alugar quanto comprar. Shannon Webster, uma corretora de iates com sede em Fort Lauderdale, disse que seu negócio neste inverno tem sido bom. "Não está ótimo, mas está melhor do que no ano passado", disse ela. "Meu preço é cerca de US$ 200 mil por semana. Isso é para um barco que acomoda 12 pessoas e tem mais 11 na equipe". Mas, ela acrescentou, os proprietários de iates estão mais dispostos a negociar.

Certamente US$ 200 mil por semana é só para os muito ricos. Mas, em comparação com um iate de US$ 20 milhões, é o que alguns podem chamar de uma pechincha.

*Por Geraldine Fabrikant

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