Nos EUA, uma 'pole dance' excêntrica, em que as roupas permanecem

Aulas de 'dança do poste para Jesus' são dadas por ex-stripper e oferecidas em igreja do Texas para mulheres

The New York Times |

Minha amiga Rachel, uma advogada das liberdades civis, me enviou o link na semana passada. Eu cliquei e vi uma reportagem de TV local do Texas. "Os movimentos de dança antes reservados para clubes de striptease estão sendo adotados por mulheres devotas", afirmava o apresentador.

O repórter então nos apresenta Crystal Deans, uma ex-stripper que oferece aulas gratuitas de "pole dance" (dança do poste) para as mulheres que decidem por seu curso, oferecido na igreja para melhorar a forma de sua vida, em seu estúdio em Spring, Texas, nos arredores de Houston.

A "Dança do poste para Jesus" é irresistível. As aulas de Deans foram mostradas na televisão e jornais de todo o país, além de websites, incluindo AOL, Huffington Post e, por qualquer motivo, o The Advocate, uma revista popular entre leitores homossexuais.

Mas por quê? Os Estados Unidos são o país onde as pessoas fazem dieta por Jesus, lutam boxe por Jesus, apostam corrida por Jesus, jogam golfe em miniatura por Jesus. Na verdade, uma busca no Google por qualquer hobby e a frase “por Jesus” resultará em uma comunidade alegando que o passatempo é feito em nome do Senhor.

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Crystal Deans, ex-stripper, ensina alunas em seu estúdio no Texas
O filósofo católico Charles Taylor, autor de "A Idade Secular", identifica essa santificação daquilo que é particularmente comum como algo tradicionalmente protestante: Por que não tentar encontrar Deus no ato de fazer manteiga ou dar de mamar aos filhos? Clérigos e comerciantes têm aproveitado à sua própria maneira esta noção de que Deus pode ser encontrado no mundano. Assim, os pregadores usam praças de alimentação ou aulas de pilates para levar adoradores para suas igrejas, enquanto comerciantes vendem produtos rotulados como cristãos para atrair compradores.

Mas a maioria dessas misturas entre sagrado e profano não chega ao noticiário nacional. Assim a dança do poste para Jesus se tornou algo tão irresistível para todos.

As pessoas sempre gostam da promessa de ver alguma pele. Mas há um algo a mais quando a pele pertence a uma cristã, pois se presume ser uma boa garota que ficou má - o tipo de garota que, para citar a canção de blues, vai à igreja no domingo e passa a segunda-feira no cabaré.

Hipocrisia?

Mas essa história também atrai pela suspeita de hipocrisia – como todo mundo é hipócrita, é delicioso poder ver a hipocrisia nos outros.

Como, nos perguntamos, uma mulher pode girar em um poste e afirmar ser cristã? Não importa que a dança do poste seja hoje comumente encontrada em academias. O tipo de mulher que sabe esses movimentos certamente não pode ser moral. Que ela chame a dança de cristã é demais, somos levados a pensar.

Não foi assim que eu me senti quando falei com Deans, 28 anos, a professora da dança no poste. "Eu tive um filho muito nova", disse Deans, que cresceu na pequena cidade de Ruidoso, no Novo México. "Fiquei grávida aos 14 anos e foi uma luta”. Ela terminou o ensino médio, frequentou algumas aulas na faculdade, mas começou a trabalhar como stripper aos 18 anos.

Seis anos e meio atrás, com seu casamento em apuros, ela foi atraída pela religião: "Veio algo na minha cabeça que dizia: ‘Você precisa de Deus. Você precisa de Jesus. Você precisa de uma igreja’”. Uma tia querida, perto da morte por fibrose pulmonar, sugeriu que tentasse a Igreja Houston Northwest.

"Eu fui à igreja sozinha naquele dia", disse. "Depois cheguei em casa e falei com o meu marido, porque naquele culto eles mencionaram que faziam aconselhamento familiar. Eu disse ao meu marido: 'Eu vou ao aconselhamento matrimonial na noite de quarta-feira'. Começamos o aconselhamento matrimonial uma vez por semana, que durou dois anos e meio”.

Ela parou de trabalhar como stripper. O casamento deles está firme e ela possui seu próprio negócio, que diz ajudar os outros como Deus a ajuda. "Isso ajudou muitas pessoas", disse ela sobre suas aulas. "Ajudou pessoas com problema de peso. Ajudou pessoas a apimentar o casamento. Tem feito muitas coisas boas pela comunidade”.

Nas tardes de domingo, quando instrui as mulheres que vêm direto da igreja para a aula, Deans toma o cuidado de tocar apenas músicas cristãs. Ela não tem nada do que se envergonhar. "Mesmo que muita gente vá julgar ou dizer coisas desagradáveis sobre mim, se eu puder ajudar uma pessoa a ver tudo o que eu passei, o que eu conquistei e onde estou hoje, eu terei feito o que eu estou aqui para fazer".

* Por Mark Oppenheimer

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