Nos EUA, estudantes chineses contestam onda pró-Tibete no ocidente

LOS ANGELES ¿ Desde os confrontos em março no Tibete, com os protestos em torno da passagem da tocha olímpica pelo mundo e a chamada de líderes para o boicote à cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim, estudantes chineses nos Estados Unidos viram-se forçados a confrontar contra uma imagem de sua terra natal que não reconhecem e nem mesmo aprovam. De modo a abandonar seu silêncio tradicional em questões políticas, eles agora começam a contestar o que percebem como um arraigado preconceito anti-China entre a sociedade ocidental.

The New York Times |

No último ano, de acordo com o Departamento de Estado, havia mais de 42 mil estudantes da China estudando nos Estados Unidos, número elevado se comparado aos 20 mil registrados em 2003.

Os campus da Universidade do Sul da Califórnia, Cornell, Universidade de Washington em Seattle e Universidade da Califórnia, Irvine, viram uma série de atos públicos, com métodos que parecem gritantes dentro do contexto acadêmico dos EUA. Na universidade de Washington, estudantes protestaram contra a visita de Dalai Lama. Na Duke, estudantes pró-China, ao saber de um ato a favor do Tibete, cercaram a manifestação; uma participante chinesa que tentava mediar o choque recebeu ameaças de morte e sua família foi forçada a sair da região.

A raiva dos estudantes, evidenciada no turbilhão de mensagens lançadas em diversas listas de e-mails da universidade, tem origem não tanto numa possível satisfação com o governo chinês, no choque emocional gerado por suas ações e na frustração frente ao grande apoio do ocidente à causa do Tibete ¿ uma paixão vista pelos estudantes como deliberadamente cega.

Geralmente, eles não reconhecem a posição cultural e religiosa no Tibete, insistindo que indivíduos tibetanos prosperaram sob o desenvolvimento econômico da China, e apenas uma minoria é insatisfeita com a conjuntura da região.

Antes de vir para cá, eu era muito liberal, disse Minna Jia, estudante de graduação de ciências políticas na USC, que chamou vários estudantes a comparecerem a uma palestra de monges. Mas depois cheguei, meu professor me disse que sou muito nacionalista.

Eu acredito na democracia, acrescentou Jia, mas não suporto ver críticas contra meu país baseadas em justificativas preconceituosas. Você agora mesmo esta vestido com roupas chinesas e usa vários objetos de lá.

Fomos sufocados durante muito tempo, disse Jasmine Dong, outra estudante universitária da USC. No entanto, Dong não quis dizer com isto que estudantes chineses tenham sido reprimidos ou censurados por seu próprio governo. Ela se referia à mídia ocidental, que não reconhece o grande passo da China e a maior liberdade ao povo chinês. Nós ainda somos desprezados ou pouco compreendidos, assinalou, nosso governo não fez lavagem cerebral ou manipulou nossa população.

-Shaila Dewan

    Leia tudo sobre: the new york times

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG